Chocólatra, Vitória Strada entrega: ‘Quando modelo, eu me olhava toda hora no espelho pra saber se estava magra o suficiente’

Naiara Andrade
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Em fim de semana de Páscoa, é difícil resistir a um chocolate, né? Burlar a dieta faz parte e, com moderação, não há prejuízos. Mas e quando se é chocólatra assumida e, mesmo assim, consegue-se estar de bem com a balança? É o caso de Vitória Strada, intérprete de Kyra/Cleyde em “Salve-se quem puder”:

— Sou uma pessoa que come chocolate todo dia, não abro mão. Eu agradeço muito à minha genética e à minha infância super ativa. Eu fiz ginástica rítmica, desde pequenininha, por muitos anos. Agora, tem pouco mais de um mês que eu voltei a me exercitar, e sinto que meu corpo responde rápido aos estímulos.

A boa forma da atriz de 24 anos, exibida frequentemente em fotos de biquíni em suas redes sociais, costuma arrancar muitos elogios de seus seguidores. Mas Vitória confessa que também tem inseguranças com seu corpo, considerado “ideal” por muitas mulheres.

— Dias atrás, eu estava conversando com a Alexandra Gurgel (influenciadora digital), que é alguém que eu admiro demais o jeito como fala e toca as pessoas. E ela me perguntou como era ser uma mulher dentro dos padrões, por assim dizer, e ter uma visibilidade. Eu disse a ela que, muitas vezes, deixo de falar sobre certos assuntos nas minhas redes sociais por achar que não são do meu lugar de voz. Por achar que tem gente muito mais interessante para falar sobre, como ela. E também por levar para um lado da ansiedade, que pode gerar uma compulsão, uma depressão, um distúrbio de imagem... Por que eu, branca e privilegiada, vou falar sobre as inseguranças com meu corpo? E ela me alertou que eu tenho total direito de expor a minha história. É a minha história e ninguém tem que julgar. Eu me senti super acolhida — desabafa.

A gaúcha, que trabalhou como modelo antes de se tornar atriz, conta que tinha preocupação excessiva com sua imagem:

— Era o tempo todo me olhando no espelho pra saber se estava magra o suficiente. Eu agradeço muito a postura da minha mãe, que me acolhia quando eu mesma me criticava. Dizia: “Filha, você é linda do jeito que é, com o corpo que tem. O que me interessa é você estar saudável”. Ela me ajudou a criar minha autoestima e me ensinou a não julgar as pessoas pelo corpo que têm.

Vitória diz que não admite viver numa sociedade em que beleza é associada à magreza:

— Eu sempre vi muita beleza em todo tipo de gente. A beleza é plural e é de cada um, não depende de cor da pele, cabelo, formato do corpo... Mesmo trabalhando como modelo e me cobrando, eu nunca desenvolvi esse preconceito em relação aos outros. Sempre achei lindas as minhas amigas que sofriam bullying por causa do sobrepeso. Inclusive, eu converso muito com a Marcella (Rica, sua noiva) sobre isso. Ela sempre teve uma crítica forte com o próprio corpo. Eu vejo beleza no olhar, no sorriso, num conjunto.

Ainda assim, ela se diz exigente até hoje com sua aparência, cobrança de que tenta se desvencilhar. E afirma que o “amor-próprio é uma construção diária”.

— Não acho que estou sempre linda e maravilhosa, trabalho a minha autoestima diariamente. Ainda mais nos dias de hoje, em que existe um padrão pré-estabelecido de beleza, é preciso desconstruir, trazer para o real, o tangível. Essa coisa pela perfeição só é alcançada com Photoshop e filtro, ela não existe de verdade. E essa busca só massacra, só oprime. Então, tento não ficar me criticando, me autocensurando o tempo todo — afirma ela.