Choque térmico? Brasil vai da Itália ao Catar, temperatura sobe 20 °C, mas impacto é minimizado

Muita gente se perguntou sobre o motivo de a seleção brasileira treinar em Turim, na Itália, dias antes da estreia na Copa do Mundo do Catar, onde já estão várias seleções. Sobretudo por conta da diferença de temperatura. Nos treinos do Brasil, a média foi de 10 °C. Em Doha, para onde a equipe segue neste sábado, após a última atividade nesta sexta em solo italiano, passa dos 30 °C. Jogadores e comissão técnica não veem impacto significativo na preparação, e priorizaram uma melhor recuperação física e uma logística menos desgastante na semana que antecede a disputa do mundial.

- São poucos dias no frio. Maioria dos jogadores estava aqui perto. Queríamos ter estrutura para estar focado no trabalho. Melhor estrutura de treinamento, pouco deslocamento. Todos estavam em países com clima parecido. A partir de sábado estaremos no Catar e não vejo esse detalhe como importante pelo que vem pela frente - argumentou o lateral Danilo.

Além dele, que atua na Juventus com Bremer e Alex Sandro, 12 atletas vieram da Inglaterra, Alex Telles da Espanha, e Neymar e Marquinhos da França. Apenas Pedro, Éverton Ribeiro e Weverton chegaram do Brasil, onde a temperatura se assimila a do Catar neste momento. A diferença é o clima mais árido do deserto em comparação ao frio seco de Turim nos últimos dias. Em alguns dias, entretanto, um sol saiu sem timidez no céu da cidade italiana. O que fez com que a comissão técnica colocasse até o horário do treinamento da tarde para mais perto da noite.

Na manhã desta sexta-feira, mais uma vez, o clima amanheceu ensolarado, com cara de Brasil. Os atletas receberam mais convidados que o normal. Alguns já na expectativa para curtir a folga antes do embarque para o Catar. O treino da seleção foi na maioria fechado, mas diante do sol forte, uma bom ambientação para não haver choque térmico na chegada ao país da Copa. Vale lembrar que boa parte dos jogadores convocados têm origem em regiões de clima bem quente no Brasil. Sem falar que, mesmo que joguem pelos seus clubes no frio europeu, o calendário das Eliminatórias sul-americanas prevê partidas tanto no Brasil como em outros países de clima mais quente do continente.

O clima frio da Itália ajudou ainda a comissão técnica a promover um trabalho de manutenção e reforço na parte física dos jogadores. Embora tenha havido muitos trabalhos táticos, não houve sobrecarga em nenhum momento. Em algumas situações de treino, os jogadores atuavam sem um adversário e sem goleiro, e treinavam apenas movimentações, sem necessidade de finalização. Quando o dia de treino amanhecia com promessa de mais frio, a comissão técnica antecipava um pouco o horário, e mesmo nas atividades mais extensas não houve tanta exposição a uma temperatura desagradável. No Catar, o termômetro será outro, e o desgaste também. Ainda mais com um jogo com intervalo de descanso de três dias.