Christiane Torloni diz que Jô, de 'A Gata Comeu', faz sucesso por não ser perfeita

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL 29.01.2020 - Christiane Torloni (atriz). (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL 29.01.2020 - Christiane Torloni (atriz). (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Jô Penteado é uma jovem rica, charmosa, mimada e impetuosa, conhecida por "colecionar" noivos. A mocinha nada típica de "A Gata Comeu" (Globo, 1985) é também a segunda protagonista da carreira da atriz Christiane Torloni, 64, e a sua primeira personagem que flerta com a comédia.

"A Jô é uma anti-heroína, aquela personagem que traz toda humanidade que nós temos, com os nossos defeitos, nossos erros, nossos flagelos, nossas misérias, mas também com todas as nossas infinitas possibilidades de generosidade, empatia, amor", diz a atriz, que tinha protagonizado anos antes "Gilda" (1978).

"A Gata Comeu" entra a partir desta segunda (7) no catálogo do Globoplay como parte do projeto de disponibilizar novelas clássicas na plataforma.

A trama é uma adaptação de "A Barba Azul", história também da novelista Ivani Rbeiro, exibida pela Tupi entre 1974 e 1975 --nesta primeira versão Jô Penteado foi interpretada por Eva Wilma (1933-2021).

Na história, Jô teve sete noivos, mas nunca se apaixonou de verdade. Isso muda quando ela conhece o professor Fábio Coutinho, vivido por Nuno Leal Maia. Ele promove uma excursão marítima com seus alunos e alguns pais. A jovem também vai com o grupo que, após um problema técnico na lancha, fica à deriva.

Eles vão parar em uma ilha deserta, onde ficam por dois meses até serem resgatados. Ali iniciam um romance bem conturbado. Torloni destaca que "A Gata Comeu" fez um grande sucesso e que as pessoas se identificavam com Jô pelo fato de ela não ser perfeita.

A atriz também guarda momentos inesquecíveis dos bastidores. "Um que particularmente me toca é o fato de em alguns momentos eu contracenar com a minha mãe. Coisa que raríssimamente voltou a acontecer. É um registro histórico e magnífico das duas em cena", diz. Na trama, Monah Delacy, mãe de Torloni, faz o papel de Graziela.

Ela lembra que muitas das gravações externas foram feitas na Urca, bairro da zona sul do Rio. "As pessoas abriam suas casas para fazermos trocas de roupa, ofereciam lanchinhos, fomos muito acolhidos pela comunidade. Até hoje algumas pessoas dos inúmeros fãs clubes da novela fazem um tour pelo bairro, pelos lugares onde as cenas foram gravadas."

Torloni salienta ainda que com a Jô conseguiu estabelecer uma comunicação "direta e íntima" com as crianças que faziam parte do elenco. O núcleo infantil, que tinha nomes como Danton Mello e Juliana Martins, foi um dos destaques da trama.

"A novela me mostrou a minha criança viva, foi uma revelação para mim e a partir dali isso apareceu em outros personagens. Guardo isso comigo até hoje, na minha vida", afirmou.

"A Gata Comeu" foi exibida duas vezes no Vale a Pena Ver de Novo, a primeira em 1989, e também em 2001. Também foi reapresentada no Viva em 2016 e 2017.

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'A GATA COMEU'

Quando: A partir desta segunda (7)

Onde: Globoplay