A chuva acabou com o pouco que a gente tinha, diz indígena na Bahia

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***FOTO DE ARQUIVO*** NOVA ALEGRIA, BA, 14.12.2021 - Estrago provocado pela enchente após chuva no distrito de Nova Alegria, interior do estado da Bahia. A chuva forte que atingiu o sul da Bahia deixou estragos, vítimas fatais e vários desabrigados. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** NOVA ALEGRIA, BA, 14.12.2021 - Estrago provocado pela enchente após chuva no distrito de Nova Alegria, interior do estado da Bahia. A chuva forte que atingiu o sul da Bahia deixou estragos, vítimas fatais e vários desabrigados. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Indígena do povo tupinambá, Ana Carolina Bié diz que a comunidade onde vive foi duramente atingida pelas chuvas, que já mataram 20 pessoas na Bahia e deixaram mais de 30 mil desabrigados.

Moradora da aldeia novos guerreiros, em Porto Seguro, ela diz que inúmeros indígenas precisaram deixar suas casas e que existem pessoas que não têm nem mesmo o que comer. Segundo Bié, a comunidade tem mais de 200 famílias.

"Eu moro em uma oca. Aqui molhou muito e acabou com as poucas coisas que a gente tinha. Até os meus filhos eu tive que tirar de casa, porque não tem como ficar nessa situação com eles. E eu ainda sou gestante", diz ela. "A nossa sorte é a rede de juventude indígena que ajuda a gente com roupas e alimentos."

Bié diz que a comunidade ficou sem fonte de renda, uma vez que os moradores precisam se locomover para vender artesanato e produtos agrícolas. "Aqui a gente vive da nossa cultura. Com essa chuva, as pessoas não estão podendo ir trabalhar. A situação está crítica," diz ela, que já perdeu os móveis por causa da chuva e teve uma alergia em razão do contato com a água suja.

"Nós estamos esquecidos. A gente merece mais atenção, mais ajuda. A gente merece que olhem para a gente. Que a nossa comunidade não fique esquecida." diz ela.

Liderança indígena, Thyara Pataxó diz que se uniu com outras lideranças para montar uma rede de ajuda às famílias afetadas pelas chuvas.

"A gente fez uma reunião e decidiu não esperar ajuda do governo para atender as famílias", diz ela, acrescentando que as cestas básicas recebidas das autoridades não foram suficientes para alimentar todas as famílias. "Muitas pessoas perderam suas casas e seus bens matérias, que não são muitos, mas fazem falta na vida delas."

Segundo o governo da Bahia, são 116 municípios afetados pelas chuvas, 358 pessoas feridas e 20 mortos. Os dois últimos óbitos foram confirmados nesta segunda na cidade de Itabuna. Trata-se de uma mulher, de 33 anos, que morreu depois de um desabamento. A segunda vítima foi um homem que tinha 21 anos e foi levado pela correnteza.

"Infelizmente, estamos vivendo o maior desastre já ocorrido na história da Bahia, mas tenho muita fé em Deus e na energia do povo baiano. Vamos reconstruir esses locais e vencer este momento tão difícil", afirmou Rui Costa (PT), governador do estado.

Segundo meteorologistas, as fortes chuvas que castigam a Bahia são reflexo do fenômeno climático La Niña e do aumento da temperatura das águas no oceano Atlântico. Apesar de comuns nesse período do ano, os temporais tiveram intensidade e duração atípicas. A previsão é de que os temporais continuem nos próximos dias.

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