Chuva forte causa duas mortes em Caxias, fecha Serra de Petrópolis e gera transtornos em várias regiões do RJ

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

RIO — Um temporal que atingiu o município de Duque de Caxias na terça-feira causou a morte de duas moradoras. Um dos óbitos foi confirmado ainda na noite de ontem. A vítima foi identificada como Fátima Marina Fernandes de Carvalho, de 61 anos. A outra seria uma jovem de apenas 16 anos. De acordo com a Prefeitura, três casas desabaram e três veículos foram levados pela enxurrada. Ao todo, 150 famílias estão desalojadas ou desabrigadas.

— Em relação a essas famílias, primeiro vamos avaliar as residências com a Defesa Civil. No caso de casas condenadas, vamos buscar realocar essas pessoas, seja por meio do aluguel social ou do programa Minha Casa, Minha Vida — disse o prefeito Washington Reis em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo.

Ainda segundo a Prefeitura, as ocorrências na cidade se concentram principalmente no distrito de Xerém. A área mais afetada tem cerca de 10km² e inclui os bairros Vila Urussaí, atingido pelo transbordo do Rio Saracuruna, Vila Canaã, Vila Maria Helena, Jardim Olimpo, Carreteiro, Santo Antônio e Barreiro.

— Logo após a chuva, a água foi toda escoada. Agora, o processo é mais de limpeza e recuperação do que tiver sido destruído, mas nada de grande custeio. Hoje temos mais de mil pessoas da Prefeitura trabalhando nas ruas. Lamentamos, claro, as vítimas. Isso não tem como paga, mas vamos dar a assitência aos familiares — afirmou o prefeito.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, a Rodovia Rio-Petrópolis está fechada desde o início da manhã desta quarta-feira por conta da queda de árvores e barreiras na via. Ainda não há previsão de reabertura.

Outros municípios da Baixada Fluminense também foram atingidos pela forte chuva, como Magé, Queimados, Guapimirim e Nova Iguaçu. Na primeira cidade, de acordo com o Climatempo, choveu em 12 horas o equivalente ao esperado para todo o mês de dezembro. A Prefeitura informou que Magé está em estágio de alerta desde às 22h30 de terça-feira. De acordo com a Secretaria de Proteção e Defesa Civil, os locais mais atingidos foram Vila Inhomirim, Fragoso, Jardim Nazareno e Santo Aleixo. Até o momento, não há registros de deslizamentos ou vítimas, mas há alagamentos em várias regiões.

De acordo com a Prefeiura de Nova Iguaçu, o maior acumulado pluviométrico foi registrado na região de Tinguá (57,8 mm em 1 hora, às 15h). As localidades mais atingidas pelo temporal foram Km 32, Cabuçu, Austin e Tinguá. Houve transbordo do Rio Boa Esperança, em Tinguá, atingindo quatro ruas. Dez famílias, um total de 35 pessoas, ficaram desalojadas e estão abrigadas em casas de parentes. Outras nove (24 pessoas) permanecem em suas residências mas sofreram danos materiais. Foram doados kits de limpeza e de cama, como colchões e lençóis, além de água. Também foram feitas vistorias nos imóveis atingidos.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais também registrou volumes de chuva muito elevados em Angra dos Reis. De acordo com a prefeitura, houve alta da Maré, que chegou a 70 centímetros. Uma casa foi ineterditada no Centro, após o deslizamento de um talude. Foram emitidos alertas de evacuação para as praias Vermelha, Aaraçatiba e Provetá. O Rio Paraíba do Sul está extremamente cheio e a população do Sul Fluminense deve ficar em alerta para o risco de transbordamento.

Confira municípios com volumes muito elevados entre12h30 e 18h30 do dia 22 de dezembro:

Moradores das áreas atingidas devem ficar atentos à previsão de mais chuva nesta quarta-feira. De acordo com o Climatempo, a região dos Lagos, o Grande Rio e o litoral Sul Fluminense permanecem com predomínio de céu nublado e ainda com risco de chuva forte na madrugada desta quarta-feira. A tendência é de diminuição da chuva ao longo da manhã e da tarde nestas regiões.

Para a região Serrana do Rio de Janeiro, Médio Paraíba, o Litoral Norte do Rio de Janeiro e o Norte/Noroeste Fluminense, a previsão é de tempo bastante instável, com risco de chuva forte e volumosa.

O clima chuvoso deve se estender ao longo da semana de Natal devido à passagem de uma frente fria. Segundo Marlene Leal, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia do Rio (Inmet), a instabilidade climática deste começo de estação se deve ao aumento do nível da umidade relativa do ar, comum durante o verão, e a incidência do fenômeno La Niña, que consiste no resfriamento da superfície das águas do Pacífico.

— No verão, as temperaturas são bastante elevadas e a umidade relativa do ar é muito alta também, e isso favorece aquelas chuvas que ocorrem no período da tarde, que são chuvas rápidas, acompanhadas de trovoadas, rajadas de vento e, às vezes, granizo. Como estamos na situação do La Niña, as chuvas são bem irregulares para a nossa região, podendo ocorrer meses com mais chuvas e outros, menos chuvosos. Se temos uma frente fria entrando, essa instabilidade fica ainda maior — explica a meteorologista.