Chuva na Baixada Santista: após quatro dias de buscas, número de mortes chega a 29

Dimitrius Dantas
Bombeiros buscam vítimas no Morro do Macaco Molhado, no Guarujá

SÃO PAULO — Oficiais do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil de São Paulo continuam na manhã desta sexta-feira as buscas por pessoas soterradas após a chuva que atingiu a Baixada Santista na madrugada de terça-feira. Segundo a última atualização divulgada pelos órgãos, às 6h30, 29 corpos já foram encontrados. Outras 41 pessoas permanecem desaparecidas.

A maioria dos óbitos e dos desaparecidos está na cidade do Guarujá (23 mortes e 36 desaparecidos), sobretudo no Morro do Macaco Molhado. As cidades de Santos (4 mortes e 4 desaparecidos) e São Vicente (2 óbitos e 1 desaparecido) também foram atingidas pelas chuvas.

O número de desaparecidos quase dobrou na quinta-feira após os Bombeiros e a Defesa Civil mudarem a estimativa. O número de desaparecidos que estava sendo divulgado até o início de quinta-feiralevava em conta o número de pessoas consideradas procuradas por familiares. O aumento ocorreu após um trabalho realizado no gabinete de crise, que cruzou os dados da área afetada com as residências registradas no local. O gabinete de crise acredita que é possível que famílias inteiras possam estar soterradas.

Entre os mortos estão também dois soldados do Corpo de Bombeiros que trabalhavam no resgate durante a madrugada de terça-feira, durante a chuva.

Na quarta-feira, o governador João Doria confirmou o estado de calamidade pública no Guarujá e de emergência em Santos e São Vicente. A situação de anormalidade tinha sido decretada pelas prefeituras. Na quinta-feira, eles foram homologados também no Diário Oficial da União.

De acordo com a Defesa Civil, já foram disponibilizadas 21,2 toneladas de materiais de ajuda humanitária, sendo 15,6 toneladas (colchões, cobertores, cestas básicas, roupas, água sanitária, kits de limpeza, kits de higiene e água potável) para o Fundo Social de Santos, de onde são distribuídos de acordocom solicitações das defesas civis municipais.

As chuvas que atingiram a Baixada Santista são resultado da Zona de Convergência do Atlântico Sul. Segundo o Climatempo, esse fenômeno típico do verão brasileiro consiste na formação de uma extensa faixa de nuvens que cruza o país, do Amazonas até o Rio de Janeiro.

De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as chuvas em 2020 têm ocorrido de forma mais concentrada.

"Tomando como exemplo a cidade de São Paulo, durante o mês de fevereiro, as chuvas ocorreram de forma mais concentrada, com grandes acumulados de chuva em poucas horas, intercalados por períodos sem ou com pouca chuva. Destaque para o dia 10 de fevereiro, em que os acumulados de chuva ultrapassaram os 100 mm em 24 horas", afirmou o CPTEC ao GLOBO.