Chuva na Grande BH já é quatro vezes a média dos últimos quatro anos

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SÃO PAULO -- As chuvas que caíram na Região Metropolitana deBelo Horizonte (RMBH) nos 10 primeiros dias deste ano atingiram entre 350 e 450milímetros, quatro vezes mais do que a média dos últimos quatro anos. Segundo otenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, janeirocostuma ser chuvoso, mas este ano está ainda mais complicado e a situação devepermanecer crítica pelo menos até sexta-feira.

-- Estamos experimentando níveis de precipitação muitomaiores na região, que concentra quase metade da população do estado, commuitas pessoas vivendo em área de risco e em situação de vulnerabilidade social- afirmou o tenente.

Aihara disse que os principais rios da RMBH estão cheios,como Rio das Velhas e Paraopeba, e causam enchentes. O excesso de chuvas tambémtem feito aumentar o risco das barragens.

Neste momento, a principal ação dos bombeiros é retirar osmoradores que vivem na área de influência da Represa do Carioca, localizada emPará de Minas, que pertence à Pequena Central Hidrelétrica do Carioca, daCompanhia Tecidos Santanense. A represa apresenta vertedouros de água em cima epelas laterais.

Há ainda retirada de moradores devido ao risco de rompimentode barramento no município de Papagaios, onde famílias estão sendo orientadas adeixar suas casas.

A retirada dos moradores dessas áreas, diz Aihara, começouna segunda-feira, mas o trabalho ocorre em áreas de difícil acesso e jáalagadas. Muitas pessoas estão sendo resgatadas de helicóptero.

Aihara afirma que o risco geológico permanece alto, já que osolo está saturado pelas águas da chuva. Na tarde desta terça-feira 25 estradasfederais e estaduais do estado estavam completamente interditadas e outras 70tinham interdições parciais. Mais de 700bombeiros estão atuando no resgate de vítimas.

- A palavra de ordem é precaução. Quem não mora em área derisco deve ficar em casa. Quem mora em áreas de risco ou próximas a barrancosdevem ir para a casa de parentes e amigos. Na maior parte das vezes o cenárioda chuva é temporário - afirma o tenente.

Minas Gerais tem 145 municípios em situação de emergênciadevido às chuvas e registra 19 mortes desde 1º de outubro, segundo a DefesaCivil do estado. Esse levantamento não inclui as 10 mortes ocorridas emCapitólio, onde uma rocha se desprendeu do cânion no Lago de Furnas e atingiuuma lancha de turismo. O acidente está sendo investigado pela Marinha e não foiatribuído às chuvas que atingem Minas Gerais, embora elas possam tercontribuído.

No município de Dores de Guanhães, um talude escorregou namadrugada de segunda-feira sobre um conjunto de residências, ao lado de umaunidade de saúde. Oito pessoas foram atingidas e duas delas morreram. Um doscorpos só foi encontrado graças ao uso de cães farejadores. A cidade segueisolada.

Uma família com cinco pessoas, entre elas duas crianças de 3e 6 anos de idade, morreu num deslizamento de terra no município de Brumadinho.O grupo havia saído da cidade de Paula Cândido, na zona da Mata, e seguia parao Aeroporto Internacional de Confins, na Grande Belo Horizonte. Eles seguiramdesviaram por Brumadinho devido à interdição da BR-040, causada pelotransbordamento do dique da Mina de Pau Branco, da empresa Vallourec. As buscaspela família duraram 10 horas e ainda há risco de deslizamento de terra nolocal.

Chuva se resolve durante a seca, diz prefeito de BH

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil afirmou que asituação segue perigosa na cidade pelos próximos 10 dias, em função dos riscosgeológicos causados pelas chuvas. Ele afirmou que a Prefeitura recebeu nosúltimos 10 dias 1.388 chamados de famílias que vivem em área de risco eorientou as cerca de 400 que não foram atendidas até agora a saírem de suasresidências.

-- Trincou, moveu, desconfiou, sai da casa - afirmou Kalil.

As pessoas que tiverem de deixar suas casas, afirmou,receberão R$ 500 de auxílio, valor maior do que os R$ 400 pagos em São Paulo eos R$ 200 pagos no Rio de Janeiro.

Segundo Kalil, durante o período de seca, a Prefeitura fez400 obras de contenção de encosta e 218 famílias foram retiradas de áreas derisco. Na avaliação dele, Belo Horizonte não vai conseguir superar o riscogeológico com o volume de chuvas que tem ocorrido na cidade.

-- Chuva se resolve é durante a seca. Não resolvemos chuvadurante a chuva - afirmou.

Ele prometeu ainda um grande programa tapa-buracos, a umcusto de R$ 150 milhões, a ser feito após o início do período de seca. Porenquanto, explicou, só podem ser feitas intervenções paliativas. Belo Horizonteregistou uma das 19 mortes registradas no estado.

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