Chuva no Rio: deslizamento atinge área de lazer de prédio no Leme

Felipe Grinberg e Arthur Leal
Com deslizamento, lama e pedras invadiram a área de lazer do prédio na Rua Roberto Dias Lopes

Um deslizamento de terra na encosta do Morro da Babilônia, no Leme, na Zona Sul do Rio, causou um forte estrondo e fez com que muitos moradores da Rua Roberto Dias Lopes, assustados, saíssem de suas casas às pressas. O muro de contenção, construído nos fundos do prédio depois dos estragos causados pela chuva do ano passado, se rompeu: lama e pedras invadiram a área de lazer do prédio. Segundo os bombeiros, ninguém ficou ferido.

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O prédio fica no número 94 da Rua Roberto Dias Lopes e já tinha realizado uma obra de contenção de encosta e recuperação dos estragos, por oito meses. Na noite desta terça-feira, porém, a Defesa Civil interditou novamente parte da construção: a área de lazer e os fundos da garagem, depois do novo deslizamento.

— Estamos esperando uma resposta da prefeitura desde o ano passado. Cadê eles? Destruimos 135 toneladas de pedras na obra ano passado e agora voltou tudo — contou Edson Lopes, síndico do prédio. Segundo ele, a obra foi bancada pelos moradores.

— Nosso medo é cair mais pedras que podem atingir o prédio — conta Juliana Nascimento, publicitária. 

Moradores da região ouviram dois estrondos em um intervalo de 40 minutos. Eles contam que no momento do primeiro estava chovendo levemente, enquanto no segundo, nem chuva havia. O deslizamento ocorreu na noite desta terça e é o segundo, em menos de um ano, que atinge o mesmo local.

O artista plástico MarQo Rocha está fora de casa há quase um ano, quando sua casa foi invadida pela terra e até hoje continua interditada. Ele soube do deslizamento por vizinhos: havia a informação de que o imóvel teria sido novamente atingido.

— Dessa vez parece que não entrou terra. A casa tem toneladas de terra e pedras e até hoje não consigo voltar. O orçamento para retirar ficou em R$ 200 mil — conta. A mulher do artista plástico, Maria Luisa Pimentel, que esteve no local, garantiu que, dessa vez, o deslizamento não fez novos estragos.

Moradores da região afirmam que, na última semana, se reuniram com representantes da GeoRio, que garantiram que a verba para a obra de contenção da encosta deve ser liberada em até trinta dias.

A terra invadiu o terreno do prédio, e com a lama a piscina ficou marrom. O Corpo de Bombeiros afirmou que homens foram acionados às 21h53m para atender à ocorrência, mas que, a princípio, ninguém ficou ferido no deslizamento.

A aposentada Maria Edithi estava vendo novela preparando o jantar quando se assustou com um grande estouro

— Parecia que o chão estava mexendo. Fui pra rua correndo e minha vizinha que conseguiu me acalmar. Pelo barulho parecia que ia levar as casas, ia cair tudo. Ficamos apavorados, tudo que construímos está ali — conta

A moradora Leilane Louzada disse que ouviu um grande barulho, por volta das 21h45m, e correu para ver o que havia acontecido. Ela diz que a área de lazer atingida havia sido reformada há pouco tempo.

— Nosso apartamento fica junto a uma área de mata, ao lado do Morro da Babilônia. Por volta de 21h45m, ouvimos um barulho muito alto que durou uns 10 segundos. Fomos até a varanda e vimos que a encosta do morro desabou mais uma vez, repetindo o que ocorreu em abril do ano passado. Vizinhos ao prédio estão numa vila de casas e um prédio, cuja piscina e área de lazer, que ficam junto a encosta do morro foram novamente afetados. Essa área foi reformada agora em dezembro — conta a moradora Leilane Louzada, que viu tudo da janela