Chuvas causadas pelo La Niña já atingem 80% do esperado para janeiro em capitais

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.08.2022 - Pedestres se protegem da chuva na avenida Paulista, em São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.08.2022 - Pedestres se protegem da chuva na avenida Paulista, em São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As fortes e volumosas chuvas e as baixas temperaturas que atingiram grande parte do Brasil no início deste ano são resultado do fenômeno climático La Niña. Os primeiros 11 dias de 2023 já foram de recordes de frio e precipitação pelo país.

A cidade de São Paulo, por exemplo, registrou o início de janeiro mais frio dos últimos 58 anos. Salvador registrou nesse período um volume de chuvas superior ao esperado para janeiro. Belo Horizonte e Rio de Janeiro já acumulam quase 80% da precipitação média registrada em outros anos para o mês.

Os dados são do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Segundo Noele Brito, meteorologista do Climatempo, os registros mais extremos para esse período se devem ao La Niña, que resfriou as águas costeiras e favoreceu a formação de áreas de baixa pressão, contribuindo para dias seguidos de céu nublado e volumes expressivos de chuva.

"Estamos em um período com mais chuva, mas, neste verão, o La Niña têm provocado volumes mais expressivos. Desde que o verão começou, em 21 de dezembro, nós já tivemos três atuações de ZCAS [Zona de Convergência do Atlântico Sul] no país", diz Brito.

As ZCAS são um fenômeno que provoca formação de nuvens pesadas e grande instabilidade atmosférica. Resultam do encontro de ventos úmidos que vêm do Atlântico, mais frios, com ventos da bacia amazônica.

As fortes chuvas têm provocado estragos pelo país. Em Minas Gerais, por exemplo, a capital registrou, até quarta-feira 260 milímetros de precipitação, o que significa 79% de todo o volume esperado para o mês de janeiro. Os desmoronamentos e enxurradas nas cidades mineiras já deixaram 20 mortos e mais de 1.900 pessoas desabrigadas.

Em Salvador, os primeiros 11 dias do ano já acumulam 87,6 milímetros de chuva, mais do que a média histórica para o mês, que é de 76,9 milímetros, segundo os dados do Inmet.

Em São Paulo, a quantidade de chuvas permanece dentro do esperado, mas a queda de temperaturas bateu recorde, segundo o instituto.

Para os próximos dias, a tendência é de aquecimento gradual na capital paulista até o fim da semana. Embora haja risco de chuva forte, os períodos com sol aumentam e a temperatura deve chegar aos 30°C até a sexta-feira (13).

A previsão é de que as chuvas ocorram na forma de pancadas que devem ganhar força no período da tarde. As pancadas de intensidade moderada a forte, com trovoadas e rajadas de vento, elevam o potencial para formação de alagamentos e queda de árvores.

Segundo o Inmet, a previsão é de que as fortes chuvas continuem atingindo todas as regiões do país até segunda-feira (16). No Norte, há previsão de grandes volumes de precipitação em todos os estados. No Nordeste, a chuva deve se concentrar em parte dos estados de Maranhão, Piauí e Bahia.

Já no Centro-Oeste, a previsão também indica acumulados de chuva significativos em grande parte de Goiás e norte do Mato Grosso. No Sudeste, a chuva intensa é esperada para o centro-sul de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Uma formação de massa de ar quente e úmida também provocará chuvas na região Sul a partir de sexta, atingindo principalmente o extremo sul do Rio Grande do Sul e o norte do Paraná.