Chuvas em Pernambuco: IML identificou 79 vítimas dos temporais desde sexta-feira

O Instituto Médico Legal (IML) de Pernambuco identificou 79 vítimas das chuvas que atingem o estado, desde sexta-feira. Informação foi dada pelo governador Paulo Câmara (PSB) em entrevista coletiva na noite deste domingo. Todos os corpos já foram liberados pelo IML, de acordo com o governador.

Outras cinco mortes ocorreram durante a última semana, mas Câmara evitou afirmar que o número de mortos tenha chegado a 85. Segundo o governador, pode ter havido sobreposição na contagem de vítimas e, até este momento, o IML confirmou a morte de 79 pessoas.

Outras 56 pessoas permanecem desaparecidas. Também há registro de 3.957 desabrigados, sobretudo nos municípios da Região Metropolitana e na Mata Norte. O governador também afirmou que o governo estadual disponibilizou R$ 100 milhões para atendimento aos municípios atingidos pelas chuvas. Os recursos serão usados para o trabalho de busca e salvamento, obras urgentes e de infraestrutura.

— Esse montante é o que estamos liberando de forma emergencial. Ainda temos previsão de continuidade das chuvas e os trabalhos de buscas de pessoas soterradas em 12 pontos da Região Metropolitana do Recife. A determinação para a Secretaria de Defesa Social e o Corpo de Bombeiros é que nossas equipes permaneçam nos locais até que a última vítima seja resgatada — afirmou o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB)

De acordo com o governo estadual, foram registrados 12 pontos de deslizamento. Nesses locais há equipes de resgate trabalhando com o auxílio de cães farejadores e equipamentos. Ao todo, 593 vítimas ilhadas em várias localidades foram resgatadas desde sábado. No Recife, os resgates aconteceram nos bairros de Coqueiral, Imbiribeira, Ipsep e Tejipió. Em Jaboatão dos Guararapes houve atendimento na Vila Dois Carneiros, Socorro e Muribeca.

O impacto dos temporais fez 14 municípios decretarem situação de emergência: Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, São José da Coroa Grande, Moreno, Nazaré, Macaparana, Cabo de Santo Agostinho, São Vicente Ferrer, Paudalho, Paulista, Goiana, Timbauba e Camaragibe. Com o decreto de situação de emergência os municípios atingidos podem acessar os recursos do Sistema Nacional de Defesa Civil.

Neste domingo, o ministro do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira, concedeu entrevista à imprensa na Base Aérea de Recife. Na ocasião, o ministro afirmou que o governo federal vai reconhecer a situação de emergência para liberar recursos emergenciais, o que pode ocorrer ainda neste domingo em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

A pasta informou que dispõe de R$ 1 bilhão para ações de socorro, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais. O montante deverá custear produtos de higiene, cestas básicas, água, colchões e limpeza urbana, entre outros.

Ferreira também prometeu que o governo federal vai mobilizar recursos para a reconstrução de casas das pessoas atingidas pelas chuvas em até 90 dias. O ministro explicou que o governo liberará o dinheiro para os municípios que forem reconhecidos em situação de calamidade pública.

Os ministros Marcelo Queiroga (Saúde), Ronaldo Bento (Cidadania) e Carlos Brito (Turismo) estiveram na coletiva de imprensa, assim como o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. A comitiva deve permanecer em Pernambuco nesta segunda-feira para acompanhar a visita do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O presidente Jair Bolsonaro disse por meio de suas redes sociais neste domingo que irá a Recife amanhã para "se inteirar da tragédia" em Pernambuco, assolado por fortes chuvas que fizeram ao menos 44 vítimas até o momento.

Em publicação, o chefe do Executivo afirmou que o governo disponibilizou, desde o primeiro momento, "meios para socorrer os atingidos", incluindo as Forças Armadas.

Fortes chuvas atingem a região desde segunda-feira e o primeiro óbito foi registrado na quarta. A previsão é de mais precipitação para os próximos dias. Ferreira orientou a população a enviar um SMS para o número 40199 com o CEP da residência para receber atualizações e alertas.

— Embora tenha parado de chover agora, a gente tá com chuvas previstas para os próximos dias. Então, a primeira coisa é manter as medidas de autoproteção. É importante respeitar os alertas das defesas civis locais — afirmou o ministro.

Uma comitiva do governo federal sobrevoou o estado neste domingo. Além de Ferreira, estavam presentes os ministros Carlos Brito (Turismo), Marcelo Queiroga (Saúde) e Ronaldo Bento (Cidadania).

— A primeira coisa a dizer é que a gente lamenta a situação que está acontecendo aqui. O Brasil passou, no ano passado, pela maior seca dos últimos 91 anos e, agora, a gente vê toda essa água caindo — afirmou o ministro do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira.

O Corpo de Bombeiros disse na manhã deste domingo que atendia ocorrências em 14 áreas. O maior efetivo está mobilizado em Jardim Monte Verde, área limítrofe entre o Recife e Jaboatão dos Guararapes. No local, ao menos 20 pessoas morreram soterradas. Ainda há pessoas desaparecidas em meio aos escombros. Foi um dos pontos mais assolados.

Buscas também são feitas na comunidade Bola de Ouro, no Curado IV, em Jaboatão. Na região, há ao menos duas mulheres desaparecidas, segundo moradores que auxiliam no resgate. Outro local é a Rua Padre Roma, onde cinco pessoas ainda não não foram encontradas.

O trabalho ainda é realizado na Rua dos Milagres, na Zona Oeste do Recife, e na Rua Antônio Camilo, em Camaragibe, onde seis pessoas morreram soterradas e outras estão desaparecidas. Na Estrada dos Macacos, na Zona Oeste da capital pernambucana, há uma pessoa cujo paradeiro é desconhecido.

Das 56 pessoas mortas no Grande Recife, 11 são parentes de Luiz Estevão Aguiar. Ele é morador de Camaragibe, na região metropolitana, e diz que seus parentes foram vítimas do deslizamento em Jardim Monte Verde, área limítrofe entre o Recife e Jaboatão dos Guararapes.

— Faleceu minha irmã, meu cunhado, faleceram 11 pessoas da minha família, foi difícil. Difícil mesmo. Não esperava isso — disse, em entrevista.

Já o auxiliar de pedreiro Thiago Estêvão, um dos sobreviventes do deslizamento de barreira que matou dezenas de pessoas em Jardim Monte Verde, conta que "só pensava em Deus" enquanto estava soterrado.

Ele perdeu a mãe, os avós e primos. Na manhã deste domingo ainda havia uma pessoa da família dele soterrada em meio aos escombros. Seis pessoas ainda estão desaparecidas no local, segundo o Corpo de Bombeiros.

— Eu só pensava em Deus, eu estava até a testa sufocado pela lama. Fui tentar salvar meus avós, minha mãe foi junto — conta o rapaz, ao G1.

Thiago disse que foi à casa dos avós no momento em que ouviu parte da barreira deslizando. A intenção era tirar os parentes da casa para salvar a vida deles. Junto com ele foi a mãe, Rosenilda Maria Oliveira da Silva, de 42 anos.

Segundo os moradores, a barreira cedeu em três momentos diferentes. O terceiro foi o pior, que atingiu a família de Thiago.

— Quando cheguei na casa dos meus avós, só escutei um estalo. Quando vi, a barreira engoliu tudo. Eu pensei que ia morrer, porque não conseguia respirar, porque a areia estava pressionando tudo — afirmou o jovem.

Entidades e associações de moradores se mobilizam por meio de campanhas de arrecadação nas redes sociais para ajudar vítimas das fortes chuvas que atingem Pernambuco, sobretudo na região metropolitana de Recife.

Além de solicitarem recursos via Pix, os grupos pedem doações de itens com agasalhos, cobertores, materiais de higiene e limpeza, colchões, alimentos e água mineral. Também solicitam fraldas descartáveis, absorventes e ração para animais.

Entre as organizações que auxiliam todo o estado, estão a Centra Única das Favelas em Pernambuco (CUFA PE), o Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Brigada Popular Pernambuco. A Universidade Federal de Pernambuco também estabeleceu um ponto de arrecadação.

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