Chuvas persistem no Paraguai e aumenta número de evacuados

Rua inundada em Assunção, Paraguai, em 27 de junho de 2014

A Direção de Meteorologia do Paraguai emitiu na sexta-feira um novo alerta por chuvas fortes e tempestades elétricas no fim de semana, o que piora a situação de milhares de deslocados pela cheia do rio Paraguai e seus afluentes.

"Estão previstas chuvas intensas, acompanhadas de tempestades elétricas moderadas, rajadas de vento e ocasional queda de granizo", alertou a Direção.

As últimas precipitações causaram alagamentos na capital paraguaia e as autoridades fecharam algumas avenidas para evitar acidentes.

O rio Paraguai atingiu 7 metros de altura, dois a menos que o pico histórico de cheia, registrado em 1983.

Este ano, as águas transbordaram o porto de Assunção e alcançaram o centro da cidade.

Atualmente, as inundações afetam várias ruas de bairros vizinhos à capital, onde os moradores são obrigados a se deslocar em pequenos botes, constatou a AFP.

Em Assunção, o número de famílias deslocadas supera as 15.000, o que significa um total estimado de 60.000 pessoas, revelou o prefeito Arnaldo Samaniego.

Cerca de 300 moradores da capital que vivem em regiões ribeirinhos tiveram que deixar suas casas entre quinta e sexta-feira.

O município interrompeu nesta sexta o despejo de lixo no gigantesco lixão conhecido como Cateura (com 40 hectares) situado às margens do rio e dispôs sua transferência para o departamento (estado) vizinho de Presidente Hayes.

O lixão, onde são depositadas diariamente 800 toneladas de lixo domiciliar e público, está cercado de água da inundação.

Especialistas alertaram que Assunção corria o risco de uma "catástrofe ambiental" se as águas chegassem à piscina do chorume, líquido que se desprende do lixo. O risco foi descartado no momento pelas autoridades.

Em Cateura trabalham 10.000 pessoas que vivem nas imediações e cujas casas ficaram completamente submersas há mais de um mês.

Enquanto isso, Joaquín Roa, ministro da secretaria de Emergência Nacional, admitiu que a quantidade de deslocados nas inundações em nove departamentos (estados) do país superou as 203.000 pessoas devido às cheias dos rios Paraguai, Paraná e seus afluentes internos.

Ao contrário, porta-vozes do Unicef estimaram extra-oficialmente em mais de 300.000 a quantidade de deslocados.

O intendente Samaniego advertiu que no período de uma semana, o nível do rio em Assunção poderia chegar a 7,10 metros.