Chuvas provocam alagamentos, deslizamentos e caos no trânsito em Niterói

Entra ano, sai ano, e os moradores da Região Oceânica continuam com a mesma reclamação: o alagamento das ruas dos bairros após pancadas de chuva moderadas ou fortes. E com a chegada do verão, período em que os volumes pluviométricos são mais altos, a situação se agrava, segundo quem vive na localidade. Na primeira semana de 2023, a chuva não deu trégua. Deslizamentos e o desabamento de uma casa ocorreram no Largo da Batalha, mas não houve registro de feridos. As chuvas também causaram transtorno no trânsito, principalmente para quem saiu desta região no sentido Zona Sul-Centro.

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Em um dos locais mais críticos do Engenho do Mato, a Rua São Sebastião, o corretor de imóveis Adriano Lima afirma que as obras iniciadas pela prefeitura pioraram o problema, que é registrado há décadas.

— Semana passada, um trator que fazia uma obra na Rua Bertha Motta Vieira chegou a afundar. O mesmo aconteceu com um carro em novembro. Dessa vez a água passou da altura do joelho de uma pessoa adulta. Além disso, há casas que foram construídas sem levar em consideração o traçado do logradouro público, o que piorou o problema. Outro dia fui buscar uns amigos na praça daqui, porque quando eles chegaram não havia como entrar na rua. Como tenho uma picape, tento ao máximo ajudar meus vizinhos — diz.

Na Estrada do Vai e Vem, no mesmo bairro, a situação não é diferente. Fábio Pereira tem um terreno no endereço desde 2004 e afirma que de lá para cá pouca coisa mudou em relação ao escoamento das águas pluviais.

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—Um dos nossos maiores problemas nessa questão é a falta de planejamento das obras (realizadas pela prefeitura). Não avisam aos moradores os locais das intervenções. Já ocorreu diversas vezes de eu andar dois quarteirões e ter que retornar por conta de obstrução, porque não havia sinalização de desvio. Carros já afundaram, pois efetuam as escavações e não avisam. Isso quando não deixam as tampas abertas de qualquer jeito em terra fofa, sem prensar o material. Ainda tem o esgoto: parece que estão escondendo em vez de resolver. Há muitos vazamentos pelo bairro — reclama.

A Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa) informa que está executando um projeto de urbanização do Engenho do Mato — que inclui implantação de rede de drenagem e pavimentação — no qual 117 ruas serão contempladas. Atualmente, 76 dessas vias já receberam algum tipo de intervenção na rede de drenagem; o que, explica o órgão, ainda não é o suficiente para que os problemas sejam sanados em relação às chuvas, já que a rede de drenagem e a pavimentação não estão concluídas.

Em relação aos locais mencionados, a empresa diz que iniciou intervenções em três pontos da Avenida Irene Lopes Sodré.

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A Rua São Sebastião recebeu serviços paliativos como terraplanagem e revisão das canaletas existentes, assim como o encaminhamento do fluxo das águas para elas, diminuindo a incidência de bolsões de água, acrescenta a Emusa. A obra tem previsão de conclusão em 19 meses.

Chuva dá nó no trânsito

De acordo com a União dos Síndicos de Charitas (USC), Niterói viveu um caos no trânsito, na semana passada, por causa da inundação da Avenida Silvio Picanço. A NitTrans chegou a desviar o trânsito para as ruas internas de Charitas e de São Francisco, provocando um engarrafamento que chegou ao Túnel Charitas-Cafubá. Ainda de acordo com a associação, devido ao problema trabalhadores do comércio e da construção civil tiveram dificuldade de chegar ao trabalho, e moradores não puderam sair de casa.

Em nota que circulou nas redes sociais, a USC chegou a afirmar que a inundação da avenida começou depois que a prefeitura construiu a garagem subterrânea de Charitas, bloqueando a saída dos canais de drenagem para o mar. A situação, dizia ainda o texto, se agravou depois que a NitTrans fechou um retorno que permitia que os motoristas voltassem para a Região Oceânica em caso de bloqueio da Sílvio Picanço. O retorno também era usado para abertura de uma pista reversível na pista de subida, sentido túnel.