Chuvas trazem alívio e reservatórios do Centro-Sul registram a primeira alta em 7 meses

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Maior reservatório exclusivamente mineiro, Nova Ponte conta com 15% do volume e perdeu 10% da água no último mês. (Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias)
As regiões sudeste e centro-oeste, que são responsáveis por mais de 10% da geração total do país e 70% do armazenamento das hidrelétricas, foram beneficiadas pela chegada das chuvas neste mês de outubro. Na foto, o maior reservatório exclusivamente mineiro, Nova Ponte em um cenário de 15% do volume total em agosto deste ano. (Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias)

Após sete meses de estiagem com poucas chuvas e uso das hidrelétricas considerado excessivo por especialistas, os reservatórios das usinas hidrelétricas do sudeste e centro-oeste voltaram a subir nesta semana. 

Responsáveis por mais de 10% da geração total do país e 70% do armazenamento das hidrelétricas, as regiões sudeste e centro-oeste foram beneficiadas pela chegada das chuvas neste mês de outubro, estabilizando o nível das represas em 16% do potencial.

As 20 usinas hidrelétricas que compõem o chamado Subsistema Sudeste/Centro-Oeste do ONS (Operador Nacional do Sistema) vinham desde março registrando quedas sucessivas nos níveis de suas represas. 12 delas apresentaram melhoras entre os dias 7 e 14 de outubro. 

As maiores altas ocorreram na bacia do Rio Grande, que concentra algumas das maiores usinas do país - incluindo Furnas - e está situada em grande parte no núcleo das seca, entre o noroeste de São Paulo e o oeste de Minas Gerais. Ilha Solteira, maior usina hidrelétrica do subsistema e sexta do país, continua operando abaixo do nível mínimo operacional, como desde meados de setembro.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram que as maiores chuvas este mês foram em cidades do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em alguns lugares choveu mais de 60 milímetros em um único dia. O início de outubro superou as previsões do Inmet e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), dando um alívio em meio à pior seca da região em 91 anos.

Apesar da chuva, a pequena melhora de 2% na última semana significa que os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste continuam no nível mais baixo dos últimos 20 anos, e especialistas em energia descartam uma redução de tarifas.

Água Vermelha é uma das principais usinas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, e atualmente possui somente 12% do total em seu reservatório, ameaçando a geração até o final do ano; atualmente ela gera um terço da sua capacidade. (Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias)
Alguns locais registraram chuvas acima de 60mm em um único dia, fazendo com que o início de outubro superasse as previsões do Inmet e do ONS. (Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias)

Para Ikaro Chaves, engenheiro eletricista da Eletrobras-Eletronorte, o momento é de alerta com a situação. 

“Devemos ter novamente o La Niña atuando no continente, o que significa menos chuvas que o normal no verão; deveria ser feito um racionamento para não chegarmos em 2022 com uma situação crítica, mas quem falar em racionamento perde a eleição, como vimos em 2001”, afirma, relembrando o apagão energético ocorrido naquele ano de sucessivas estiagens.

Desde então os governos federais deram prioridades a usinas na região norte, como Belo Monte, onde o volume de chuvas em 2021, ao contrário da metade sul do país, foi acima da média, acarretando enchentes recordes em Manaus e cidades próximas ao longo dos rios Negro e Amazonas.

Em maio, o ONS alertou em relatório que hidrelétricas poderiam chegar perto do colapso em novembro. O ONS afirmou esta semana que, embora o cenário esteja melhor, sem risco de racionamento, a situação ainda é sensível, e que as medidas excepcionais que vêm sendo gradualmente adotadas serão mantidas. Entre elas a tarifa de escassez hídrica, que deixa a conta de luz mais cara.

Exploração de rios voadores e subterrâneos agravam crise anunciada - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias
Exploração de rios voadores e subterrâneos agravam crise anunciada - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias
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