Chuvas de verão: série de obras busca preparar área de Barra e Jacarepaguá para enfrentar temporais

Verão é estação de calor, mas também de temporais, e o histórico do Rio é de tragédias causadas pelo aguaceiro que cai no período. Com o objetivo de amenizar os impactos das chuvas da temporada, a prefeitura iniciou, no fim do ano passado, o Plano Verão, um conjunto de 235 obras de infraestrutura para resolver problemas da cidade que levam a consequências como enchentes e deslizamentos. Segundo o município, o orçamento destinado às intervenções é de R$ 1,2 bilhão.

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Cerca de metade das obras (112) está sendo feita em bairros da Zona Oeste. Uma das frentes de trabalho é a Operação Ralo Limpo, realizada pela Comlurb e pela Secretaria municipal de Conservação, com desobstrução de tubulações em vias sensíveis a alagamentos em Vargem Grande, Recreio e Barra da Tijuca.

— É uma ação de rotina que já foi feita em diversos locais da nossa região, como a Avenida Armando Lombardi, na Barra, que tem histórico de empoçamentos, e a Avenida Genaro de Carvalho, no Recreio — conta o subprefeito Raphael Lima. — Em 2021, tivemos alagamentos nas Vargens, ao longo da Estrada do Rio Morto e na Rua Paulo José Duarte, em frente ao Canal do Cascalho, por exemplo. Esses cursos d’água, assim como o Rio do Portão, em Vargem Grande, e o Calembá, em Vargem Pequena, estão recebendo agora um serviço de dragagem e remoção de sedimentos com máquinas anfíbias, para evitar que transbordem e alaguem as vias.

Só no Rio Morto, a expectativa é que sejam removidas 91 mil toneladas de resíduos, informa o subprefeito. Ele diz ainda que o Centro de Operações Rio (COR) concluiu em setembro a instalação de câmeras no entorno do canal para o monitoramento on-line de possíveis alagamentos.

— As câmeras funcionam 24 horas, e estamos sempre atentos para atuar quando necessário, com um plano de ação envolvendo órgãos como Comlurb e Defesa Civil e coordenado pelo COR. Temos ainda uma draga na foz do Rio Morto com a Praia da Macumba, para evitar que a maré jogue areia no canal e impeça seu deságue — explica Lima. — Com esse mesmo objetivo de prevenção de enchentes, está em andamento também, desde outubro, uma obra de asfaltamento e instalação de sistemas de esgoto, drenagem e águas pluviais na comunidade Novo Palmares, em Vargem Pequena.

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Raphael Lima diz também que o Canal das Taxas, no Recreio, foi contemplado com o programa Guardiões dos Rios, em que moradores são indicados pelo subprefeito para fazer parte da equipe de manutenção e remoção de resíduos, a fim de manter o bom fluxo do rio. E promete mais ações para este ano.

— Temos uma parceria público-privada, já assinada pelo prefeito, para a realização da limpeza dos canais do Portelo, em Vargem Pequena, e Cortado, que cruza Vargem Grande e Recreio — adianta. — A ideia é manter a população segura diante das chuvas fortes.

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Na área da Subprefeitura de Jacarepaguá, um dos focos foram as ações de recuperação de encostas e de desobstrução de canais de drenagem em morros e vias como a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá. Trinta obras foram entregues em 2022, como a do condomínio Solar da Montanha.

— Estamos com a Geo-Rio atuando também na Estrada do Quitite, no Anil, com obras de contenção e drenagem de encostas; e na Estrada do Pica-Pau, no Itanhangá, construindo uma cortina de concreto para o barranco não despencar — explica a subprefeita da área, Talita Galhardo. — E investimos na limpeza e recuperação das escadas hidráulicas, estruturas de cimento que servem para escoar água nos morros.

A região também é atendida pela Operação Ralo Limpo, que já promoveu a limpeza de 94 mil ralos e desobstruiu 600 galerias de águas pluviais, conta a subprefeita:

— Este mês, vamos iniciar o programa Guardiões do Ralo, em que teremos 50 moradores contratados trabalhando em dupla em todos os lugares com incidência de alagamento. Eles vão receber cerca de mil reais para atuar com material adequado para abrir e desentupir ralos em momentos de chuva. Todos passaram por treinamento com profissionais da Comlurb e da Secretaria de Conservação.

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Estão em andamento ainda na região obras de urbanização, incluindo instalação de sistema de drenagem, saneamento e pavimentação, diz Talita.

— Há muitos lugares da Zona Oeste que não têm água e esgoto e precisam do básico para lidar com as chuvas. Essas intervenções terminam este ano e acontecem em áreas como a Muzema, onde a lama chega até o joelho quando alaga, e o Arroio Fundo, onde não há asfalto — conta. — Outra obra importante está em curso na Rua Camatiá, na Freguesia, que sofria com bolsões de água e precisava da canalização do Rio Banca da Velha, atrás do 18º Batalhão. Vamos entregá-la neste verão.

O Rio Passarinho, em Curicica, também teve obras de canalização. Em breve, as estradas do Catonho e Cafundá, na Taquara, receberão serviços de drenagem, para eliminação de pontos críticos de alagamento.

— As obras vão começar agora e vão até o final do ano. É uma intervenção grande, para recuperar o sistema de águas pluviais de uma área de com longo histórico de enchentes — detalha a subprefeita. — Trabalhamos mais na limpeza em 2021 e, desde o ano passado, temos feito intervenções mais complexas.

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Vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos de Vargem Grande, Sarah Rubia considera importantes as obras em andamento, mas insuficientes:

— Talvez a limpeza resolva a situação no Canal do Cascalho, onde a água entra na casa dos moradores. Mas o grande problema das Vargens são ruas que viram piscinões, principalmente as estradas do Pacuí e do Sacarrão, porque a água da chuva não consegue chegar ao rio, devido à ocupação irregular do solo. Então, limpar o rio é bom, mas a prioridade neste momento deveriam ser as obras nas vias.

Ela reclama ainda de promessas não cumpridas:

— Pretendo acionar o subprefeito para questionar sobre as intervenções que não foram feitas. Ele prometeu a obra da Estrada do Pacuí, incluindo toda a pavimentação, para o fim do ano passado, mas o trabalho não foi iniciado. Assim, apesar da limpeza de rios, a rua vai continuar alagando e um caos generalizado. Eu moro nesta estrada, e, se chover, não posso sair de casa, porque corro o risco de não conseguir voltar, já que ela vira um rio, com correnteza e água acima do joelho. Estamos abandonados e correndo contra o tempo; sabemos que temos uma bomba aqui nas Vargens, por falta de infraestrutura.

Em resposta sobre a reurbanização da via, a subprefeitura diz que trata-se de uma obra de grande porte, que tem um rito processual, elaboração de projeto e custo. Informa que o processo está na fase de liberação orçamentária e que, após ser autorizada, passará por uma licitação. Acrescenta que ainda não há previsão para o início das intervenções.

Outra linha de trabalho coordenada pelo COR é a realização de simulados de evacuação em áreas suscetíveis a alagamentos e deslizamentos, além de treinamentos de interdição em vias vulneráveis aos efeitos da chuva, como a Estrada da Grota Funda e a Grajaú-Jacarepaguá.