Cicatrização do intestino do Papa Francisco deve ser prioridade de médicos após cirurgia

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O Papa Francisco, de 84 anos, passa bem após ter sido submetido a uma cirurgia que retirou parte do lado esquerdo de seu intestino grosso, no domingo. De acordo com o Vaticano, ele ficará internado por cerca de uma semana. O pontífice foi diagnosticado com estenose diverticular do cólon, condição que afeta o sistema digestivo. A enfermidade é mais comum nos idosos, principalmente após os 80 anos.

O pontífice “encontra-se em boas condições gerais, está alerta e respira sem ajuda”, disse o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni. O procedimento, informou, durou cerca de três horas e foi realizado por uma equipe de dez pessoas na Policlínica Gemelli, em Roma. De acordo com o porta-voz, foi realizada uma hemicolectomia do lado esquerdo, procedimento em que parte do intestino grosso é retirada.

Segundo Douglas Bastos, chefe do Centro Avançado Hepatobiliar do Hospital São Vicente de Paulo (RJ), a doença é um estreitamento da parte interna do cólon, por onde passa o conteúdo do bolo fecal e das fezes.

— Ela pode ser causada por um câncer no intestino ou por uma doença inflamatória, como no caso da diverticulite. O paciente pode ter uma inflamação muito forte e que cause o estreitamento. Esse processo de inflamação e cicatrização, sobretudo se ele ocorrer diversas vezes, pode causar uma redução do calibre na parte de dentro do intestino, provocando o estreitamento, ou seja, a estenose do cólon — diz Douglas.

A enfermidade está relacionada a pequenas saliências ou bolsas (divertículos) que se formam com a idade na parede do intestino grosso, segundo informações do sistema público de saúde do Reino Unido (NHS). A maioria das pessoas com divertículos não apresenta sintomas e só pode descobrir sobre a condição se fizer um exame por algum outro motivo. Essa situação assintomática é chamada de diverticulose.

Douglas Bastos explica que a recuperação do paciente após a cirurgia requer atenção por causa da cicatrização:

— É uma cirurgia que, como todo procedimento, tem riscos. Os principais cuidados ocorrem no período de recuperação, quando é preciso ter atenção para que haja boa cicatrização do intestino. Por isso, inicialmente, o paciente fica um período sem se alimentar e vai voltando à dieta aos poucos: de uma consistência líquida passa para outra semilíquida e pastosa, até que, em torno de cinco a sete dias depois da cirurgia, se restabelece o hábito alimentar comum, com a dieta sólida.

O Papa retirou parte de um dos pulmões na juventude, mas raramente precisou cancelar compromissos no pontificado. No fim do ano passado, ele não participou das missas de 31 de dezembro à noite e de 1º de janeiro de manhã devido a uma dor no nervo ciático. Em março de 2020, antes da Semana Santa, ele cancelou a participação numa jornada de orações num convento em Roma após pegar um resfriado forte.

Sintomas

Os principais sintomas que indicam que pode haver um problema no intestino, segundo Douglas Bastos, são a dificuldade em evacuar e a sensação de barriga inchada. Esses problemas, associados a uma retenção de gases muito grande, podem indicar um estreitamento, ou uma estenose em algum ponto do intestino.

Não se sabe exatamente as causas da doença diverticular, mas parece estar ligada à faixa etária, à dieta, ao estilo de vida e à genética. A idade é um dos principais fatores de risco. Poucas pessoas com menos de 40 anos sofrem com isso. Geralmente, segundo os médicos, o quadro começa a partir dos 60 anos e, principalmente, após os 80, de acordo com a NHS.

Consuma fibras. A falta de uma dieta rica em fibras está associada ao desenvolvimento de doença. Outros fatores que elevam o risco incluem excesso de peso, tabagismo, histórico de constipação e uso de analgésicos por longo período.

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