Ciclismo: etapa rainha promove reviravolta no Giro da Itália

LANCE!
·4 minuto de leitura


A etapa rainha (a principal e mais difícil) do Giro da Itália de ciclismo, realizada nesta quinta-feira entre Pinzolo e Stelvio (207km) foi responsável por uma reviravolta na classificação geral. Com início em subida, montanhas duríssimas e passando pela segunda estrada mais íngreme da Europa, o pelotão dos líderes ficou pulverizado nos quilômetros finais. O português João Almeida não conseguiu manter o ritmo e, chegando a 4m51s do vencedor, em sétimo lugar, caiu da liderança (que sustentava desde a terceira etapa) para o quinto lugar.

O novo líder é Wilco Kelderman, holandês da Sunweb, que completou a prova na quinta posição, mas a apenas 2m18s do australiano Jai Hindley (também da Sunweb), que fechou a prova em 6h03m03s com uma bike de frente para Tao Geoghegan Hart (britânico da Ineos). Hindley agora é o segundo colocado geral, seguido por Geoghegan Hart, Pello Bilbao (Bahrain) e Almeida.

Com isso, a classificação geral passou a ser esta:

1 - Wilco Kelderman (Holanda/Sunweb) + 77h46m56s
2 - Jai Hindley (Austrália/Sunweb) + 12s
3 - Tao Geoghegan Hart (GBR/Ineos) + 15s
4 - Pello Bilbao (Espanha/Bahrain) + 1m19s
5 - João Almeida (Portugal/Quick-Steps) + 2m16s
6 - Jakob Fuglsang (Dinamarca/Astana) + 3m59s
7 - Patrick Konrad (Austria/Bora) + 5m40s
8 - Vicenzo Nibali (Itália/Trek) + 5m47s
9 - Fausto Masnada (Itália/Quick-Step) + 6m46s
10 - Rafal Majka (Polônia/Bora) + 7m28s



Como foi a etapa rainha

A prova, desde o início (em subida), mostrou grande grau de dificuldade. Cientes de que esta seria a etapa decisiva para a classificação geral, os líderes se monitoraram e aguardaram o ápice da etapa, a subida de 25km ao Monte Stelvio. Nesta hora, Almeida, que é um contrarrelogista e não um escalador de origem, sentiu a dificuldade da subida e viu Kelderman, Jai, Geoghan e Pello Bilbao - além de Jakob Fulgsang (Astana), um pouco mais atrás na classificação - tomarem a dianteira, colocando distância.

Nos quilômetros finais, com subida muito dura, Tao Geoghan Hart e Jay Hindley abriram e seguiram colados até a reta de chegada (em plano com leve subida), Hindley puxou o sprint, abriu meia bike de diferença e venceu pela primeira vez uma etapa de grande volta, com o tempo de 6m03m03s.

O terceiro colocado foi Pello Bilbao, 46s atrás do vencedor. Fuglsang apareceu em quarto, com deficit de 1m46s.

A partir daí, as atenções ficaram para a chegada de Kelderman, consolidado em quinto mas que poderia perder a chance de assumir a ponta para Hindley se chegasse com mais de 2m30s de deficit. O holandês conseguiu impor um bom ritimo final e cruzou com tempo 2m18s inferior ao seu companheiro de Sunweb. Assim, assumiu, pela primeira vez, a Maglia Rosa.

João Almeida, dando tudo o que tinha, conseguiu puxar o pequeno pelotão que contava com aquele que era o maior favorito da edição 2020 do Giro, o italiano Vicenzo Nibali (atual sétimo geral), e cruzou a 4m51s.

E agora, João?

Restam três etapas para o término do Giro. Nesta sexta-feira, com percurso em plano, a vitória será de um velocista. No domingo, a etapa final será um contrarrelógio e João Almeida até tem condições de tirar a diferença de 2m16s para o líder. A questão é que entre uma prova e outra há a etapa 20, mais uma de montanha duríssima e tudo indica que o português irá perder perder mais um pouco de tempo. Isso que inviabiliza a sua chance de vitória. O mais provável é que ele brigue por um honroso quarto lugar, o que já seria uma façanha para o ciclismo português.

Guerrero lidera entre os montanhistas

Mas Portugal não sairá de mãos abanando deste Giro. Ruben Guerrero (da equipe EF) disputava com Giovanni Visconti o título de melhor montanhista (Maglia Azzurra. Nesta quinta-feira, ele praticamente garantiu o troféu. Visconti abandonou a etapa e o Giro-2020. Além disso, o portuga obteve muitos pontos na etapa desta quarta-feira. Com isso, soma 234 pontos contra 122 de Thomas de Gendt. Isso significa que bastará ao português terminar as três etapas que restam para sagrar-se o Rei da Montanha na Itália.

Etapa de hoje

Como citado acima, a etapa é plana e todo o pelotão cruzará em bloco o percurso de 258km entre Morbegno e Asti (cidade que tinha o CT foi a concentração da Seleção Brasileira na Copa de 1990). A briga aqui está para saber se o francês Arnaud Demare (Groupama) e que venceu as quatro etapas planas da edição 2020 do Giro manterá 100% e confirmará o título por pontos (Maglia Ciclamino) ou se o eslovaco Peter Sagan (Bora) conseguirá vencer o sprint intermediário e chegar em primeiro para conseguir tirar a diferença entre os dois. Demare, no momento, tem 221 pontos, contra 184 de Sagan.