Conheça o ciclista que irritou Bolsonaro com pergunta sobre Queiroz

Lemuel Simis estava em Brasília para palestrar sobre inovação (Foto: Divulgação/Firgun)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Lemuel Simis é cofundador de uma fintech que viabiliza empréstimos para empreendedores de baixa renda

  • O empresário estava em Brasília para dar uma palestra em uma conferência sobre inovação

O empresário Lemuel Simis estava em Brasília para palestrar em uma conferência sobre inovação no último sábado (5) quando viu que Jair Bolsonaro (PSL) estava conversando com apoiadores na frente do Palácio do Alvorada. Ele pedalou até o presidente e perguntou sobre Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). A resposta não foi muito educada: “Tá com a sua mãe”, disse Bolsonaro antes de se retirar do local.

Cofundador de uma fintech que facilita investimentos para empreendedores de baixa renda, Simis foge do estereótipo de “comunista” e “petista” que os apoiadores do presidente usaram para ofendê-lo. Um deles chegou a ameaçá-lo pela pergunta: “Eu tenho um filho de 30 anos que se te pega, te corta em cinco”, disse o homem.

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A empresa que Lemuel Simis ajudou a fundar é a Firgun, que promove captação de crédito para pessoas de baixa renda que querem iniciar pequenos negócios. A plataforma não administra o dinheiro dos empréstimos, e se sustenta com parcelas das transações proporcionais ao tamanho do investimento. Se o empréstimo for de até 1.000 reais, o empresário que o recebe não precisa pagar nada. Em entrevista à revista Veja, Simis explica mais sobre a companhia:

“Fazemos uma análise de risco em um processo inclusivo, que aceita negativados e informais, e criamos uma campanha de captação coletiva. Liberamos empréstimos de modo que a parcela a ser paga não ultrapasse 10% da renda média mensal do empreendedor. O investidor pode entrar com valores a partir de 25 reais e seu rendimento será de acordo com o que foi captado pelo empreendedor.”

O empresário estava em Brasília para uma conferência sobre temas como “capitalismo consciente”, “investimento em tecnologia” e “impacto social”, onde estavam presentes representantes do Banco Mundial e de multinacionais como Oracle ou Microsoft. Ele diz que decidiu fazer a pergunta ao presidente no final do passeio pela capital porque viu que a maior parte do público ao qual ele se dirigia era de simpatizantes: “Queria demonstrar que também há gente indignada no país. Não esperava uma resposta mas também não me surpreendi”, relata. E critica a postura do chefe do Executivo:

“Ele não consegue fazer a economia voltar a crescer por causa de seu comportamento imaturo. O Brasil está mais conservador e tem a oportunidade de votar o que precisa ser votado, mas não está acontecendo. Falta um diálogo construtivo. Parece que estamos num bar.”

Ele destaca, também, pontos positivos sobre o governo Bolsonaro: elogiou a aproximação com Israel e o aumento do limite para empréstimos previsto na Lei do Microcrédito. E dá um conselho ao presidente: “Respirar antes de falar. É preciso sentar com calma para conversar e escutarmos um ao outro para termos um diálogo honesto.”