Do "Frexit" à Síria, política externa é destaque em campanha

Luis Miguel Pascual.

Paris, 21 abr (EFE).- Entre os candidatos que propõem a saída da França da União Europeia (UE) e aqueles que querem fortalecê-la frente o americano Donald Trump e o russo Vladimir Putin, a política externa foi um dos temas centrais das eleições presidenciais francesas, com a Síria como pano de fundo.

Entre os candidatos com mais chances de vitória, dois se mostram hostis à Europa, e outros três apostam em reforçar a UE.

A ultradireitista Marine Le Pen e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, ambos eurodeputados, consideram um empecilho para os interesses de seu país a atual construção europeia, enquanto o socialista Benoît Hamon, o conservador François Fillon e o socioliberal Emmanuel Macron são partidários da continuidade no bloco.

Le Pen aposta em reforçar as fronteiras francesas e, embora tenha moderado um pouco sua postura, não esconde que a saída da UE é um meio de conseguir isso.

A candidata propõe renegociar com os demais membros do bloco um novo tratado, cujo resultado será proposto em referendo aos franceses, que decidirão se querem ou não continuar na UE com as novas condições.

Mélenchon, por sua vez, quer abandonar paulatinamente os tratados que, na sua visão, pretendem construir uma Europa neoliberal.

O socioliberal aposta em uma integração entre os países da costa mediterrânea e em integrar outras alianças, como a Alba, para que os territórios ultramarinos franceses possam negociar melhor com seus vizinhos sul-americanos. Além disso, quer que a França abandone a Otan.

O conservador François Fillon acredita que se deve reforçar a cooperação em áreas como a Justiça, o socialista Benoît Hamon é a favor de reforçar a atual UE antes de continuar a expandindo e Macron não hesita em se apresentar como o mais europeísta dos candidatos e em propor uma maior integração entre os membros como contrapeso a Rússia e Estados Unidos.

O outro grande tema da campanha foi a posição em relação ao conflito na Síria, no qual a França é o segundo maior contribuinte militar da coalizão internacional contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

A menos de 20 dias do primeiro turno, o ataque com armas químicas a uma localidade perto de Idlib e a posterior resposta dos EUA bombardeando uma base aérea do regime de Damasco repercutiram na campanha.

Os favoritos se dividiram entre quem pede postura firme com Assad, se alinhando assim com a política defendida pelo atual presidente, François Hollande, e aqueles que consideram o líder sírio a melhor proteção contra o EI.

Neste segundo grupo estão Le Pen, Fillon e Mélenchon, partidários também de uma aproximação do presidente russo, Vladimir Putin, principal aliado do regime de Damasco.

Frente a eles, o socialista Hamon, que considera hostil a política expansionista do Kremlin e defende a saída de Assad para começar uma transição política no país.

Macron também aposta na saída do presidente sírio, mas com o aval da ONU e sem deixar o país acéfalo, para não repetir os erros cometidos na Libia e no Iraque.

Fillon viu sua amizade com Putin lhe render inúmeras críticas, sobretudo por se mostrar contrário a manter as sanções a Moscou pela anexação da Crimeia.

A postura é também compartilhada por Le Pen, considerada a candidata preferida do Kremlin, e por Mélenchon, próximo a Moscou e muito hostil a Washington, algo que o diferencia da ultradireitista, admiradora de Donald Trump. EFE