Ciclo de 2018, que elegeu Bolsonaro, só deve se repetir em 30 ou 40 anos, diz Maia

Bruno Góes
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Jorge William
Jorge William

BRASÍLIA — O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira que o processo eleitoral de 2020 recoloca a política em um "ambiente de diálogo". Em debate com transmissão ao vivo realizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Maia argumentou que o pleito municipal é um ponto de inflexão em relação ao ciclo eleitoral de 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República.

O presidente da Câmara participou de abertura da conferência, que teve também a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

— O resultado da eleição recoloca a política no ambiente do diálogo. Aqueles que dialogaram e conversaram com a sociedade tiveram um resultado positivo na eleição. É claro que a eleição municipal não tem essa influência toda na eleição nacional, mas você poderia ter tido o ambiente de uma continuação de uma certa onda, que pelo menos para essa eleição não foi mantida. Foi quebrada, e acho que será outra eleição em 2022. Acho que o ciclo de 2018 só vamos ter daqui a 30 ou 40 anos de novo, em um outro ciclo político.

Maia disse ainda que o alcance de campanhas nas redes sociais sofreu um impacto de movimento recente de combate às fake news. Para ele, as plataformas foram usadas com mais parcimônia, com a limitação de "força dos extremos" e "narrativas falsas". Segundo ele, a política "teve uma grande vitória" com um cenário de "prefeitos bem avaliados" e com "experiência".

— Tivemos também o impacto da redução da força ou pelo menos um limite à força das redes sociais. Em 2018, (as redes) foram usadas de forma muito heterodoxa, com muitas agressões e fake news, que continuaram no ano passado. Mas acho que a própria ação do Supremo Tribunal Federal, naquele inquérito gerado pelo Toffolli e relatado pelo ministro Alexandre (de Moraes), gerou limites. A própria discussão da legislação, aprovada pelo Senado e que a Câmara discute e deve aprovar até o final do ano, isso certamente gerou, claro, uma utilização (responsável) cada vez maior das redes sociais — disse o presidente da Câmara.

Maia disse ainda que houve uma mudança na avaliação da população em relação à experiência dos políticos. Ele citou o fracasso de novatos em governo estaduais, como Wilson Witzel (PSC) no Rio de Janeiro e Carlos Moisés (PSL) em Santa Catarina, para falar do assunto. Ambos os governadores foram alvo de processos de impeachment.

— A gente viu que há uma diferença muito grande entre o sonho e a concretização desse sonho (...) não adianta apenas ter boas ideias, as ideias precisam estar baseadas em experiência administrativa, experiência política para que isso possa se tornar realidade. Vimos aí muitos estados com problemas, Rio de Janeiro, Santa Catarina, entre outros, onde a falta de experiência, entre outros problemas, gerou crises muito grandes.