Cidade boliviana de Cochabamba vive situação 'caótica' com nova onda de covid-19

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Pessoas são inoculadas com a primeira dose da vacina russa Sputnik V contra o novo coronavírus no Hospital El Alto Sur em El Alto, em 24 de maio de 2021

Dezenas de pessoas esperam - algumas há mais de 24 horas - para obter cilindros de oxigênio na usina Arbieto, nos arredores da cidade boliviana de Cochabamba, onde esse recurso está escasso devido ao aumento de casos de covid-19.

Segundo o secretário da Saúde, Aníbal Cruz, a demanda por oxigênio em Cochabamba dobrou desde o final de março devido ao que ele classifica como a "terceira onda" da pandemia: passou de 1,5 a 3 toneladas por dia na rede pública.

Na noite de segunda-feira, familiares denunciaram que oito pessoas morreram em um hospital do Fundo Nacional de Saúde por falta de oxigênio, algo que o governo federal negou em um comunicado.

No Hospital del Sur, uma produção própria de oxigênio era suficiente para abastecer os pacientes, mas hoje, os 30 metros cúbicos que produz diariamente não atendem a demanda.

O oxigênio começa a ser vendido até nas redes sociais. A página do Facebook “Oxigênio Medicinal Cochabamba”, por exemplo, oferece “entrega imediata” de um “kit completo, tanque carregado, pronto para uso”.

Seu preço: 2.800 bolivianos (400 dólares), em um país onde o salário mínimo é inferior a 2.200 bolivianos.

- Faltam leitos -

Dezenas de pacientes com covid-19 esperam por um leito de tratamento intensivo. No momento, estão todos ocupados, disse o secretário de Saúde, que descreveu a situação como "caótica".

Todos os pacientes do departamento de Cochabamba, um dos nove da Bolívia e com quase 1,8 milhão de habitantes, estão sendo transferidos para a capital departamental e arredores por falta de postos de saúde em outras localidades. Mas lá, o sistema público conta com apenas 85 leitos de terapia intensiva.

Quem espera por uma vaga o faz "em casa" ou vai a caros hospitais privados, explicou o diretor de Hospital del Sur, Grover León.

O Cemitério Geral da cidade também está saturado, segundo autoridades. O espaço para armazenar os corpos antes de serem cremados está cheio, então os cadáveres devem permanecer em geladeiras nos hospitais.

Nesta quarta-feira, uma comissão de emergência se reunirá para definir as medidas a serem tomadas diante da crise.

A Bolívia acumula 355.349 infecções por covid-19 e 14.124 mortes entre seus 11,6 milhões de habitantes, de acordo com o balanço oficial.

Embora o índice de mortalidade, que mede o total de óbitos sobre casos positivos, e os casos por 100.000 habitantes, seja menor do que em outros países da região, o sistema de saúde do país andino sofre com problemas de infraestrutura, abastecimento e falta de pessoal, limitando sua capacidade de resposta.

A campanha de vacinação avança lentamente. Até 25 de maio, 9,8% da população havia recebido pelo menos uma dose das vacinas Sputnik V, Sinopharm, AstraZeneca ou Pfizer, incluindo o presidente Luis Arce, vacinado na segunda-feira com o fármaco russo. Apenas 2,7% já receberam as duas doses.

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