Cidade das Artes volta a receber público; veja a programação

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Rio — Na última terça-feira, a Sala de Leitura da Cidade das Artes abriu as portas ao público, marcando a volta das atividades presenciais no centro cultural. As mulheres são tema de boa parte da programação, iniciada com a exposição “Mulheres e música”, da artista plástica Lili Rose, com colagens em homenagem a personalidades guerreiras e transgressoras como Chiquinha Gonzaga, Carmen Miranda, Nara Leão e Clara Nunes. E seguirá com atrações focadas no sexo feminino, além dos lançamentos dos livros “#Tarjapreta”, escrito por Bruno Black, jovem morador da comunidade do Fumacê, em Realengo, e “As sete notas do arco-íris”, da cantora Tia Gê, que aborda iniciação musical para crianças (confira a programação no final do texto). Mulheres, moradores da periferia, crianças. A diversidade, explica o ator Marcelo Serrado, nomeado diretor artístico da casa em janeiro, dará o tom das atividades da Cidade das Artes em 2021.

Serrado afirma que o objetivo é mobilizar toda a cadeia artística e oferecer manifestações plurais.

—Temos muitos profissionais que trabalham tanto em cima dos palcos como nos bastidores, e a roda tem que girar para todos. Desde o início do ano estamos trabalhando não só a segurança, mas também para trazer uma programação com a cara do carioca. Queremos que cada vez mais a sociedade se reconheça na Cidade das Artes — diz.

Várias atrações já estão planejadas para outros espaços, mas o ritmo da retomada vai depender do avanço da imunização contra a Covid-19 — a própria Cidade das Artes funciona como posto de vacinação — e do esperado recuo da pandemia do novo coronavírus. Um show da Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro, que se apresentará presencialmente, e o musical “Elza”, em formato de live, sobre a trajetória de Elza Soares, estão confirmados para junho. Em breve, haverá também apresentações dos gêmeos violoncelistas do Duo Santoro e do espetáculo “Bora rir”, do comediante Paulinho Serra.

“Mulheres e música” fica em cartaz até sexta que vem. Em junho, a Sala de Leitura terá debates sobre feminismo, terapias alternativas, amor, sexo e idade.

— É muito importante que a celebração de artistas mulheres tenha espaço na nossa cultura, assim como também a cultura negra. Em novembro, teremos um mês dedicado a debates sobre a consciência negra e a peças de autores negros — conta Serrado.

O público que quiser participar das atividades propostas pela instituição deve passar por aferição de temperatura e higienização das mãos. Os ingressos são vendidos pela plataforma Sympla e correspondem a 40% da capacidade do espaço, de acordo com as recomendações do último decreto emitido pela prefeitura, que manteve a cidade sob a bandeira vermelha na classificação de risco para a Covid-19.

Segundo o presidente da Fundação Cidade das Artes, Claudio Versiani, a tendência é que cada vez haja mais atividades presenciais.

— Estamos muito confiantes com o retorno de tudo, mas indo com calma e conversando sempre com a Secretaria de Saúde. A prioridade, agora, além da segurança, é a formação de público. E para isso os espetáculos vão priorizar a música, popular ou clássica, seja balé ou dança contemporânea — afirma.

O orçamento da Cidade das Artes para este ano é de R$ 15 milhões, suficientes para cobrir os custos básicos, o que torna importante a receita vinda de patrocinadores e parceiros, e as conversas com eles também vêm determinando a programação.

— Alguns patrocinadores querem eventos presenciais agora, outros não. Ainda estamos consolidando muitas propostas, e os projetos que estão indefinidos não foram colocados na agenda — diz.

Uma coisa é certa. Atrações que vinham causando polêmica com os vizinhos serão deixadas de lado:

— Não teremos mais espaço para festas como raves. O objetivo é fomentar a cultura carioca com eventos que dialoguem com a população. Em contrapartida, as intervenções artísticas do teatro serão mais dinâmicas.

Versiani também prevê uma parceria com a Secretaria de Educação e a viabilização de espetáculos para o público infantojuvenil.

— Interessa-nos que parte dos ingressos seja voltada para as crianças da rede municipal de educação, para que participem de workshops e peças e tenham mais contato com o mundo artístico — diz.

Assim que a pandemia permitir, já está acertado que o Teatro de Câmara será palco para um musical sobre a bossa nova. Marcelo Serrado conta que alguns espetáculos tiveram que ser remarcados para o ano que vem, como “Marrom, o musical”, dirigido por Miguel Falabella, que contará a história da cantora Alcione.

— À medida em que as coisas forem sendo liberadas, quero dedicar o Teatro de Câmara a músicos recém-formados que não tenham onde se apresentar. É uma casa também deles, principalmente dos artistas da música clássica — afirma o diretor artístico, que planeja ainda criar uma escola de música.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DA SALA DE LEITURA

Exposição Mulheres e Música

De 18 a 25/5, de terça a a sexta, na Sala de Leitura

A exposição de Arte Colagem Mulheres e Música, de Lili Rose, é inspirada na memória de algumas das mulheres mais marcantes na história da música brasileira, como Chiquinha Gonzaga, Tia Ciata, Carmem Miranda, Nara Leão, Clementina de Jesus, Zaíra de Oliveira e Clara Nunes.

Mulheres in Rio - Rodas de conversa

De 21/5 a 18/6, quinzenalmente, às sextas-feiras, das 15h às 17h

A cada edição, será abordado um tema, com mulheres que são referência em cada área e mediação de Marcia Thimoteo e Veronique Sales.

21/5 – O Feminino Atemporal

Mesas:

– Empreendedoras do Agora (das 15h às 16h)

Com Renata Freire, Fátima Fernandes, Fábia de Carvalho, Karla Fassini e Sonia Garcia

– A Mulher do Futuro

Com Márcia Monteiro e Lindalia Junqueira Reis (das 16h às 17h)

4/6 – Terapias Alternativas para Conexão e Felicitude

Mesas:

– Terapias Holísticas (das 15h às 16h)

Com Denise Garcia (meditação), Ana Hara Sorei (nutrição energética), Patricia Araujo (reiki), Rubia Diehl (terapia quântica) e Alana Lucati ( ioga)

– Natureza e a Mulher (das 16h às 17h)

Com Maytê Piragibe (atriz) e Ariane Peixoto (bióloga)

18/6 – Amor, Sexo e Idade

Mesas:

– Sexualidade, Orientação e Identidade de Gênero (das 15h às 16h)

Com Patricia Sanches, Erica Rambalde e Juliana Matos

– O Amor Começa por Você (das 15h às 17h)

Com Ingrid Braune (psicóloga) e Palmira Margarida (perfumaria ancestral) e Georgia Pientz (consultora de imagem e estilo)

Projeto Interlocuções - Simone de Beauvoir e a realidade da mulher contemporânea

De 28/5 até dezembro, às sextas-feiras, quinzenalmente, das 16h às 18h

Com a coordenação da psicanalista Gilda Pitombo Mesquita e de Graça Soares

Exposição da artista plástica Oci Ferreira sobre o feminino

De 4/6 a 18/6, de terça a sexta, das 10h às 17h

Lançamentos de livros:

9/6, quarta-feira, das 15h às 16h30m: #TARJAPRETA, de Bruno Black - O livro do morador da Comunidade do Fumacê, em Realengo, fala sobre saúde mental

10/07, sábado das 15h às 17h: "As sete notas do arco-íris" - O lançamento do livro infantil sobre iniciação musical, da cantora e professora de musicalização Tia Gê, terá um show para crianças de todas as idades.

*Estagiária, sob a supervisão de Lilian Fernandes

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