Cidade e estado de SP não se entendem sobre o que é caso de Covid

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*ARQUIVO* SAO PAULO/ SP, BRASIL,  24.09.2021. Edmar Moreira Homem Junior, 34, bancario na UBS Mooca. Começa nesta sexta-feira (24) a redução de tempo entre para quem tomou vacina da Pfizer. Coronavirus , COVID-19.  (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO/ SP, BRASIL, 24.09.2021. Edmar Moreira Homem Junior, 34, bancario na UBS Mooca. Começa nesta sexta-feira (24) a redução de tempo entre para quem tomou vacina da Pfizer. Coronavirus , COVID-19. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após quase dois anos de pandemia, ainda parece haver algum grau de confusão entre entes administrativos sobre o que é um caso confirmado de Covid-19. As infecções na capital paulista são registradas aos milhares e, enquanto isso, o estado aponta que a cidade tem tido algumas centenas.

A comparação foi feita com base nos boletins diários que a cidade de São Paulo disponibiliza e os dados abertos disponibilizados pelo estado.

A diferença entre os números já havia sido apontada por uma reportagem do G1.

Na quarta-feira (12), por exemplo, enquanto o estado de São Paulo apontava que a cidade tinha registrado 471 novos casos de Covid, o município, em seu boletim, tinha registrado 14.915 infecções. No dia anterior, terça (11), o ente estadual apontava 650 casos contra 5.445. Na segunda (10), 87 contra 12.121.

A discrepância permanece ao se olhar para as tabelas disponibilizadas pelo município.

As diferenças também estão presentes no início de dezembro, com a cidade, em determinados dias, apontando mais de mil casos e o estado atribuindo ao município somente uma centena.

A análise da segunda semana de dezembro até o fim do mês fica mais complicada, porque o sistema do Ministério da Saúde sofreu um ataque cibernético que prejudicou notificações da pandemia, o que pode também ter impacto sobre os dados aqui tratados.

De toda forma, segundo o ministério, as plataformas de dados para casos foram normalizadas ainda em dezembro.

No momento, o país atravessa uma explosão de casos de Covid e aumento de ocupação em UTI e enfermarias pelo país, após a chegada da variante ômicron.

A reportagem questionou tanto o estado quanto o município sobre o assunto, que admitiram haver discrepância.

Segundo a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica estadual, Tatiana Lang, a diferença entre os dados que são tornados públicos já foi observada e os técnicos municipais e estaduais estão trabalhando para ajustes.

Lang afirma que uma possibilidade para a diferença seria o município estar ampliando os mecanismos de identificação do que define um caso confirmado de Covid. A diretora diz que o estado leva em conta somente as classificações consideradas pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a pasta, a classificação de um caso confirmado pode se dar por critério clínico, clínico-epidemiológico, clínico-imagem e por critério laboratorial.

O boletim diário municipal, porém, aponta essas mesmas possibilidades para classificação de um caso como de Covid.

"Eles reclassificaram os casos deles e criaram outras classificações que não são as preconizadas", diz Lang. "Precisamos estudar se de fato esse caso tem critérios suficientes para ser encerrado como um caso confirmado."

Os dados de Covid no Brasil são registrados por meio do E-SUS Notifica e pelo Sivep-Gripe. O primeiro é destinado para casos leves, e o segundo, para casos mais graves e internações.

Apesar de o ministério e diversos estados, inclusive São Paulo, apontarem que a notificação por esses sistemas ter sido normalizada, o acesso público aos dados continua indisponível.

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo afirma que os casos confirmados na cidade são referentes a diagnósticos laboratorial, clínico-epidemiológico, clínico e clínico-imagem.

"A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), reforça que o banco de dados já foi revisado e que a pasta só realiza classificações dentro do preconizado pelo Ministério da Saúde", afirmou o município, em nota.

"A SMS acrescenta que, em 5 de janeiro, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital iniciaram a testagem contra Covid-19 já no momento da triagem. Desta data, até o momento, foram realizados 106.632 testes rápidos contra Covid-19, com 37.314 testes positivos", diz a nota enviada à reportagem.

O número de testes positivos só no município de São Paulo apontados pela SMS é superior aos dados divulgados por São Paulo como referentes a todo o estado no mesmo espaço de tempo (de 5 até 13 de janeiro).

Segundo o consórcio de veículos, nesse período teriam sido registrados 30.240 casos de Covid no estado. O consórcio utiliza as informações disponibilizadas pelos próprios estados em plataformas ou nos boletins epidemiológicos (como é o caso de São Paulo).

A secretaria municipal também afirma que usa um script (código) para o processamento dos dados que faz reclassificação de casos a partir de critérios e definições do Ministério da Saúde. "A utilização do scrip permite um acompanhamento mais aprimorado da situação epidemiológica, apresentando de forma mais real o momento atual da pandemia."

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