Cidade Integrada: família afirma que casa foi invadida por policiais no Jacarezinho (RJ)

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Police officers patrol the Jacarezinho slum during a new pacification operation to combat crime in Rio de Janeiro, Brazil, January 19, 2022. REUTERS/Alexandre Loureiro
Police officers patrol the Jacarezinho slum during a new pacification operation to combat crime in Rio de Janeiro, Brazil, January 19, 2022. REUTERS/Alexandre Loureiro
  • Por determinação do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a comunidade está ocupada por policiais;

  • O casal soube da invasão por volta das 12h de sábado (22) ao receber um telefonema de vizinhos;

  • Além do prejuízo relativo aos pertences, a mulher afirma que os policiais levaram as economias do casal: R$ 1.000.

Após o lançamento do projeto Cidade Integrada, no Jacarezinho, uma família moradora da comunidade do Jacarezinho, zona norte do Rio, denunciou que a casa foi invadida, revirada e furtada por policiais militares, no último sábado (22).

Por determinação do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a comunidade está ocupada por policiais para implantação do projeto Cidade Integrada, uma nova versão das UPPs.

O casal soube da invasão por volta das 12h de sábado (22) ao receber um telefonema de vizinhos. Naquele horário, policiais estariam dentro da casa "revirando tudo".

O caso dessa família é um entre vários que surgiram nas redes sociais nos últimos dias. Procurada, a PM disse, sem dar detalhes, que "os fatos estão sendo apurados com extremo rigor e a isonomia condizente".

Em entrevista ao UOL, a moradora contou que trabalha como ambulante nas praias do Rio com o marido. Ela estava trabalhando na praia quando recebeu a ligação dos vizinhos. O casal retornou à comunidade imediatamente e chegou a ver policiais saindo do seu portão. "Meu marido veio chorando e disse 'quebraram tudo nosso, acabaram com nossa casa'. Eu fiquei desesperada", relata.

Após serem abordados pela mulher, os policiais voltaram à casa. Ela disse que os agentes insistiram que não foram eles, ajudaram a levantar o armário e foram embora. Além do armário, com prestações ainda a serem pagas, o fogão, a cama do casal e a cama da criança foram destruídos, segundo relatou a moradora. O sofá foi rasgado "como se estivessem procurando alguma coisa".

O casal também afirma que os policiais levaram suas economias: R$ 1.000 — dinheiro que seria usado para pagar o aluguel, e contas e um cofre com moedas para a festa de dez anos da filha. Apesar do choque de ter a casa invadida e furtada, a mulher e o marido tiveram de sair para trabalhar no mesmo dia.

Ela lamenta a atitude dos PMs e reforça que a crítica é à forma como a possível revista foi feita. "Se eu estivesse em casa, eu deixaria eles entrarem e verificarem tudo, porque é o trabalho deles. Mas isso não é destruir casa de trabalhador, não [é o trabalho deles]."

Para ter acesso a casas de moradores, os agentes teriam de ter uma autorização judicial para busca e apreensão. No entanto, segundo o casal, nada foi apresentado.

Programa foi apresentado no último sábado (22)

Após autorizar a ocupação do Jacarezinho e Muzema na última quarta-feira (19), Castro foi criticado pela metodologia de ocupação - que chamou de ‘retomada de território’: 1.200 agentes das polícias Civil e Militar entraram pelas vielas do Jacarezinho para ocupar a região. A metodologia, sem anúncio ou debate popular, foi avaliada por especialistas como uma UPP 2.0, comparando com a antiga Unidade de Polícia Pacificadora.

“O programa em nada tem a ver com a UPP, não é um plano de pacificação. Essa ideia traz mais prejuízos do que benefícios. Esse projeto é de retomada do território e de entrega para quem ele pertence”, explicou o governador.

A ausência de diálogo com moradores também foi alvo de críticas. "Vimos que o novo projeto é basicamente baseado em pilares que levaram a UPP a sua derrocada. No Rio de Janeiro há um acervo de erros, e é frustrante ver que não são reconhecidos e escolhe-se cometê-los novamente", afirma o coordenador da rede de Observatórios da Segurança do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESEC), Pablo Nunes.

Em vídeo postado no Twitter, a articuladora social Natália Brambila questionou o governador, que visitou o Centro de Referência da Juventude do Jacarezinho nesta sexta-feira (21). “Acho que é um senso comum entre os moradores que queríamos que essa conversa tivesse sido antes da polícia entrar, assim como foi no plano da UPP 2008, em que a primeira intervenção foi a entrada da polícia”, defendeu a jovem.

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