Cidade Integrada: governo do RJ promete diálogo nas comunidades; veja eixos do programa

Cidade Integrada: Governador prometeu dialogar com moradores das comunidades, com o programa implementado na Muzema (Zona Oeste) e Jacarezinho (Zona Norte). (Foto: Divulgação/Governo do Rio de Janeiro)
Cidade Integrada: Governador prometeu dialogar com moradores das comunidades, com o programa implementado na Muzema (Zona Oeste) e Jacarezinho (Zona Norte). (Foto: Divulgação/Governo do Rio de Janeiro)
  • Cidade Integrada: Cláudio Castro apresentou detalhes do programa em coletiva de imprensa neste sábado (22);

  • Governador prometeu dialogar com moradores das comunidades;

  • Programa foi implementado na Muzema (Zona Oeste) e Jacarezinho (Zona Norte);

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou detalhes sobre o programa Cidade Integrada, que ocupou a favela do Jacarezinho, na Zona Norte da capital fluminense, e comunidades no Itanhangá, na Zona Oeste.

Ainda na fala inicial, o Chefe do Executivo estadual prometeu dialogar com moradores locais a respeito do projeto.

Na apresentação, Castro mostrou seis eixos a serem implementados:

  • Social;

  • Infraestrutura;

  • Transparência;

  • Econômico;

  • Diálogo/Governança;

  • Segurança.

O primeiro item contempla subprogramas para moradores: o Desenvolve Mulher, por exemplo, vai atender chefes de família de 16 a 30 anos, com capacitação para o mercado de trabalho e pagamento de R$ 300 para cada mãe beneficiada.

Outros programas foram apresentados com foco na Terceira Idade e Jovens. Também foram prometidos editais de cultura para o projeto Favela Criativa, bem como a criação de linhas de crédito para dentro das comunidades pelo projeto Agerio. O motivo, segundo Castro, é que moradores não dependam de serviços oferecidos ‘pela criminalidade’. Auxílio para aquisição de botijão de gás também será contemplado neste eixo.

Os programas já devem começar a funcionar no mês de fevereiro de 2022, segundo anunciou o governador. Alvo de críticas, ele reafirmou em diversos momentos que a nova política vai, essencialmente, dialogar com os moradores locais. E adiantou que, enquanto o ‘Cidade’ não for devidamente implementado e der resultados, não há previsão de ação em outras comunidades.

Cidade Integrada: conheça os eixos de segurança

A última etapa apresentada por Castro foi a de segurança. A redistribuição da Polícia Militar em ambas localidades é uma das prioridades do programa, assim como o uso de câmeras operacionais portáteis durante o policiamento. No Jacarezinho, o governo prometeu a construção de uma nova unidade de policiamento: o Batalhão da Polícia Militar deve ganhar reforço de 280 PMs da UPP do Jacarezinho e mais 120 da UPP de Manguinhos, somando assim 400 policiais.

Ao ser questionado sobre o debate com moradores, Castro reforçou o eixo de diálogo do programa. Segundo ele, já há conversas para a escolha de representantes das comunidades. “Os representantes devem ser escolhidos pela associação de moradores, inclusive a metodologia também será desenhada por eles”, concluiu.

Entre outras ações prometidas para o Jacarezinho, estão a revitalização da Praça 15 de Agosto, construção de pista de skate e revitalização da área ocupada pela antiga fábrica de lâmpadas da empresa americana GE, localizada no bairro Maria da Graça. Para a Muzema, Castro também anunciou o programa "Casa Legal", que prevê a entrega de títulos de propriedade a moradores da região. Sobre a escolha do local para implantação do ‘Cidade’, o governador afirmou que a comunidade da Zona Oeste é ‘é um dos berços da milícia’.

Após autorizar a ocupação do Jacarezinho e Muzema na última quarta-feira (19), Castro foi criticado pela metodologia de ocupação - que chamou de ‘retomada de território’: 1.200 agentes das polícias Civil e Militar entraram pelas vielas do Jacarezinho para ocupar a região. A metodologia, sem anúncio ou debate popular, foi avaliada por especialistas como uma UPP 2.0, comparando com a antiga Unidade de Polícia Pacificadora.

“O programa em nada tem a ver com a UPP, não é um plano de pacificação. Essa ideia traz mais prejuízos do que benefícios. Esse projeto é de retomada do território e de entrega para quem ele pertence”, explicou o governador.

A ausência de diálogo com moradores também foi alvo de críticas. "Vimos que o novo projeto é basicamente baseado em pilares que levaram a UPP a sua derrocada. No Rio de Janeiro há um acervo de erros, e é frustrante ver que não são reconhecidos e escolhe-se cometê-los novamente", afirma o coordenador da rede de Observatórios da Segurança do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESEC), Pablo Nunes.

Em vídeo postado no Twitter, a articuladora social Natália Brambila questionou o governador, que visitou o Centro de Referência da Juventude do Jacarezinho nesta sexta-feira (21). “Acho que é um senso comum entre os moradores que queríamos que essa conversa tivesse sido antes da polícia entrar, assim como foi no plano da UPP 2008, em que a primeira intervenção foi a entrada da polícia”, defendeu a jovem.

Ao elencar os projetos que ocorrem na CRJ, Natália cobrou, em nome dos moradores, acerca dos pilares do novo programa. “Nós queremos saber quais são as novas medidas faladas pelo sr. em várias reportagens, medidas novas, diferentes da UPP de 2008, que vão diferenciar e trazer cultura, educação e lazer para a nossa comunidade”, perguntou.