Cidade do Rio deveria ter o dobro das árvores que existem atualmente, segundo plano diretor

Geraldo Ribeiro
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RIO — No auge do verão, chamou atenção a informação do sistema Alerta Rio apontando Irajá como o lugar mais quente da cidade, desbancando Bangu. Poucas áreas verdes é uma das explicações para a posição de destaque do bairro da Zona Norte como ilha de calor, assim como parte da Zona Oeste é considerada uma das áreas mais quentes do Rio por ser menos arborizada. Já Zona Sul e Centro são os lugares onde há mais verde.

O primeiro passo para reduzir esses contrastes foi tomado pela Fundação Parques e Jardins ao desengavetar o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU Rio), pronto há cinco anos, mas nunca colocado em prática.

Dados atualizados do PDAU mostram que o Rio deveria ter quase o dobro de árvores que possui nos logradouros, praças e parques públicos. O déficit é de 800 mil, enquanto o número de árvores existentes é calculado em cerca de um milhão.

— A região do Grande Irajá, hoje em dia, é uma das principais ilhas de calor da cidade, por conta do déficit de arborização e de um adensamento também muito grande, além de mal planejado — explica Fabiano Carnevale, presidente da Fundação Parques e Jardins (FPJ).

Zona Sul tem mais árvores

Entre os bairros menos arborizados estão ainda Pavuna, Realengo, Anchieta e Quintino. E é com foco nesses lugares que o plano terá início. Já entre os mais verdes da cidade estão Jardim Botânico, Urca, Laranjeiras, Lagoa, Copacabana, Ipanema e Leblon.

A ausência de árvores, além de contribuir para o aumento da poluição ambiental, cria ilhas de calor, fazendo com que a diferença da temperatura do solo apresente uma variação de 10 a 15 graus entre bairros como, por exemplo, Bangu e Jardim Botânico.

— Quanto menos árvores, maior é a tendência de temperaturas mais altas. Essa é a equação— aponta Andrews Lucena, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal Rural (UFRRJ).

O PDAU prevê investimento total de R$ 31,3 milhões em cinco anos, sendo R$ 3,5 milhões no primeiro ano — considerando valores de 2015, quando o plano foi elaborado. Devido à situação financeira difícil do município, a fundação diz que não será possível fazer todo o investimento este ano, mas afirma que o programa já saiu do papel e orienta hoje as ações de arborização.

Uma delas envolve a atuação dos 30 coletivos que voluntariamente já espalhavam o verde pelo Rio. Agora, eles contam com apoio técnico da FPJ e recebem mudas para medidas compensatórias.

Coletivos no plantio

Um desses grupos, o Arboristas Urbanos mapeia ruas em 22 bairros da Zona Norte com necessidade de arborização. A ideia é escolher uma via para projeto-piloto e depois replicá-lo por todo o bairro.

— A gente trabalha também educando o morador e tentando convencê-lo de que ter uma árvore em frente de sua casa é bom, porque ela trará sombra e outros benefícios — conta o biólogo Alessandro Magalhães de Oliveira, criador do coletivo.

O trabalho dos integrantes do Arboristas Urbanos é identificar canteiros vagos para preencher com mudas. O primeiro resultado positivo da atuação desses grupos foi o aumento do índice de sobrevivência das mudas. Antes deles, 70% das árvores plantadas pela prefeitura não sobreviviam. Já com o trabalho deles essa perda foi reduzida a zero, e o aproveitamento atingiu 100%, segundo a própria Fundação Parques Jardins.

— A fundação fez uma aproximação muito grande conosco não só pelo nosso poder de ajuda como também pelo poder local. Nós conhecemos muitas pessoas nos bairros onde atuamos, o que nos dá uma dinâmica muito maior — avalia José Guimaraens, fundador do grupo Reflorestamento Urbano.