Cidade do Rio exige comprovante de vacinação para cirurgias eletivas e pagamento do auxílio Família Carioca a partir de setembro

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A partir do dia 1° de setembro o comprovante de vacinação contra a Covid-19 será exigido numa série de atividades na cidade do Rio. Segundo o prefeito do Rio, Eduardo Paes, a medida é para pressionar os moradores que ainda não se imunizaram — ou que estão com a segunda dose atrasada — a aderirem à campanha. Além da exigência para a entrada em locais e estabelecimentos de uso coletivo, como cinemas, academias e estádios, a mesma obrigatoriedade no caso de cirurgias eletivas não emergenciais e no recebimento de auxílio financeiro por meio do Cartão Família Carioca.

De acordo com o texto do decreto, publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial do município, "a vacinação a ser comprovada corresponderá a 1ª dose, a 2ª dose ou a dose única, em razão do cronograma instituído pela Secretaria Municipal de Saúde - SMS, em relação à idade do paciente". Ou seja, para ter direito a ambas as possibilidades, o carioca deverá estar com a vacinação contra a Covid-19 em dia.

Para comprovar a imunização, pode ser apresentado o certificado de vacinas digital, disponível na plataforma do Sistema Único de Saúde - Conecte SUS (veja como tirar) ou comprovante, caderneta, cartão de vacinação em impresso em papel timbrado, emitido no momento da vacinação no posto de saúde.

— Nós vamos criar dificuldades para aqueles que não querem se vacinar, desde acesso ao programa de transferência de renda (Família Carioca), passando por cuidar da sua saúde, passando por ter alternativas e oportunidades de lazer e, em alguns casos, até por trabalhar — disse o prefeito Eduardo Paes, durante a coletiva do 34º boletim epidemiológico nesta manhã.

O prefeito destacou que a medida é uma forma de pressionar os atrasados, que ainda não se imunizaram ou não voltaram para a segunda dose, a irem aos postos. Mesmo com o início do calendário dos adolescentes nessa semana, a prefeitura tem feito repescagens diárias. Nesta sexta-feira, além dos meninos de 17 anos, podem se vacinar com a primeira dose gestantes, puérperas, lactantes e pessoas com deficiência (12 anos ou mais) e pessoas com 21 anos ou mais, preferencialmente, no período da tarde.

Entre os espaços de lazer, veja os locais que passarão a exigir o comprovante de vacinação a partir de 1º de setembro:

Numero dé casos e variante Delta

Sob a possível influência da variante Delta — que, de acordo com o monitoramento genômico da prefeitura, já corresponde a quase 60% das ocorrências de Covid no município —, o Rio de Janeiro enfrenta a maior onda de casos confirmados da doença no ano. O cenário epidemiológico da cidade aponta, contudo, que a alta no número de confirmações segue não se refletindo na mesma intensidade na quantidade de internações e de óbitos.

— Temos hoje um panorama semelhante ao de outros países. A variante Delta aumenta os casos, mas não aumenta proporcionalmente as mortes — avaliou o secretário Daniel Soranz.

A nova edição do informativo semanal da prefeitura indica uma tendência de estabilidade no índice de atendimentos nas redes de urgência e emergência, que vinha crescendo nas últimas semanas. Segundo a SMS, isso também se aplica ao número de casos confirmados e de mortes.

— Nos atendimentos de rede de urgência e emergência, onde vimos uma subida nas últimas semanas, temos hoje uma estabilidade. Em relação aos casos confirmados, seguimos com o panorama da semana passada, sem grandes alterações — informou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Márcio Henrique Garcia.

As séries históricas disponibilizadas pelas autoridades mostram que houve um crescimento sutil na quantidade de casos graves e de óbitos por Covid-19 na cidade. A alta nesses índices de fato não se iguala à escalada no número de casos, mas isso pode se relacionar com o prazo natural de evolução da doença, como admitiu o próprio prefeito Eduardo Paes.

— A boa notícia é que tivemos uma estabilizada na procura de urgência e emergência, sempre um fator decisivo na nossa tomada de decisão. Você imagina que, com mais atendimentos, teremos mais mortes. Mas os óbitos, quando crescem, crescem com algum atraso em relação às medidas. A subida no número de casos foi absurda, incrível, nas últimas duas semanas. Mas os óbitos permanecem com algum grau de estabilidade. O que significa que, de fato, essa variante Delta causa menos mortes e também temos muitas pessoas vacinadas — afirmou.

Diante dos crescentes indicadores da pandemia na cidade, que ainda não deram indícios de queda, a prefeitura reiterou sua tendência a apostar todas as fichas na vacina. Enquanto decretou restrições à circulação de não imunizados, Paes renovou até o dia 13 de setembro as medidas de prevenção ao contágio atualmente estipuladas na cidade. Todas as 33 Regiões Administrativas do município seguem com risco alto para a Covid-19.

Durante a entrevista coletiva desta sexta-feira, o próprio prefeito classificou as restrições atuais como "bastante flexíveis":

— A cidade já está há algum tempo na situação de alto risco. O que a gente tem hoje são regras bastante flexíveis, bares e restaurantes (funcionando). Dentro de determinadas condições, shows e rodas de samba podem acontecer. O que a gente pede hoje são coisas básicas: o uso da máscara e, na medida do possível, o distanciamento. Não é nenhuma medida restritiva radical da cidade do Rio de Janeiro. Há um desejo de quem lida com a comunicação da pandemia que a gente traga medidas restritivas mais rígidas, mas não queremos fazer isso.

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