Cidade de SP vai vacinar crianças de 3 e 4 anos com comorbidades a partir desta quarta (20)

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo inicia nesta quarta-feira (20) a vacinação de crianças de 3 e 4 anos com comorbidades ou deficiência e indígenas contra a Covid-19. O público estimado é de cerca de 15 mil crianças.

Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde recomendou a aplicação do imunizante Coronavac nessa faixa etária.

Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), a vacinação não começará para o público geral dessas idades porque a cidade não tem estoque suficiente de doses. São mais de 313 mil crianças de 3 e 4 anos na capital.

Para receber a vacinação, é preciso apresentar documento de identificação das crianças e um comprovante da condição de risco, como receitas ou relatórios, com a identificação do paciente, número do CRM (Conselho Regional de Medicina) com carimbo do médico e na validade de dois anos de emissão.

Os responsáveis pelas crianças sem comorbidades ou deficiência poderão fazer inscrição nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para o recebimento de doses remanescentes. Eles devem procurar a unidade mais próxima de casa ou da escola e apresentar documento com endereço e telefone, também a partir de quarta.

O uso emergencial da Coronavac para crianças de 3 a 5 anos foi aprovado de forma unânime pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na quarta-feira (13), sem restrições. As crianças de 5 anos já podiam receber a vacina pediátrica da Pfizer.

Nesta terça (19), o governo federal disse que planeja remanejar as doses de Coronavac entre os estados para possibilitar a vacinação das crianças menores, numa tentativa de garantir o abastecimento de unidades da federação que reclamam da falta de imunizantes.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Daniel Pereira, admitiu que pode haver gargalo nas capitais e não deu estimativa de prazo para iniciar a operação logística.

Ele afirmou que os estados têm 1,2 milhão de doses da Coronavac em estoque e que a pasta está levantando as necessidades de cada município.

O secretário-executivo disse que "essas doses que já estão nos estados permitem a vacinação, sem nenhum problema", e que as prefeituras também podem priorizar as crianças mais velhas ou com comorbidades —como é o caso da cidade de São Paulo.

Pereira afirmou que apenas 60% das crianças de 5 a 11 anos do país foram vacinadas até agora e que, por isso, a avaliação do ministério é de que os municípios não precisam esperar a entrega de 100% das doses para dar início à vacinação.

O secretário também declarou que o governo federal estuda importar doses já contratadas por meio do consórcio internacional Covax Facility ou fazer uma nova compra via Instituto Butantan, de São Paulo. Segundo ele, o ministério está trabalhando para que as vacinas cheguem em até 30 dias.

"O Butantan é uma opção, o consórcio Covax Facility é outra opção. A gente está avaliando de que forma a gente consegue trazer as vacinas mais rápido, para que chegue à ponta, sem que onere tanto o orçamento do ministério", afirmou.

Após a decisão da Anvisa, o secretário de estado da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que o Butantan vai importar as doses da China. Segundo ele, a partir da encomenda das vacinas pelo Ministério da Saúde ao instituto, a estimativa de entrega no Brasil é de 45 dias.

O esquema vacinal indicado pela Anvisa é igual ao do restante da população: mesma dosagem e intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda dose.

A recomendação sobre o uso da Coronavac na faixa etária já era esperada. Como mostrou a Folha de S.Paulo, a câmara técnica já tinha recomendado a vacinação de crianças com qualquer vacina aprovada pela Anvisa.

No município do Rio de Janeiro, a imunização das crianças dessa faixa etária começou na sexta-feira (15).

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