Cidades do interior de SP sofrem com incêndios em áreas de proteção ambiental

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CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS) - As altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar fizeram explodir o número de incêndios em São Paulo em agosto, o que tem motivado ações que incluem voos diários de aviões no combate às chamas.

Há casos em que equipes do Corpo de Bombeiros, de usinas de açúcar e etanol e de propriedades rurais tentam controlar as queimadas em áreas de preservação há oito dias.

Foram registrados 2.133 focos de incêndio este mês até esta quarta-feira (25), ante os 1.111 durante agosto do ano passado, o que representa um crescimento de 92%, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Em 58 incêndios florestais neste ano, 15 dos quais em agosto, foram consumidos 5,3 mil hectares de mata (o equivalente a 7,4 mil campos de futebol), apontam dados da Secretaria da Infraestrutura e Meio Ambiente do estado.

Destes, 921 hectares estavam em área de proteção e outros 4,3 mil no entorno da vegetação protegida.

Um desses incêndios de grandes proporções atingiu a estação ecológica de Jataí, em Luiz Antônio, na região de Ribeirão Preto. Desde a última sexta-feira (19) agentes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Fundação Florestal e da prefeitura, além de voluntários, atuam no combate às chamas.

Os trabalhos contam com apoio de caminhões-pipa, aeronaves, tratores e outros veículos. Nesta semana foi firmada uma parceria com a Usina Basan, que está disponibilizando equipamentos para as equipes. Novos aceiros (faixas de terra nas quais a vegetação é cortada para impedir que o fogo se alastre) também estão sendo abertos na estação com o apoio de parceiros privados, como as usinas São Martinho, Moreno e a empresa International Paper.

A unidade de conservação preserva uma amostra significativa de cerrado, com registro de espécies ameaçadas de extinção no estado, entre elas sucupira-preto, perinha-do-campo, palmito-juçara e xaxim, além de animais como tamanduá-bandeira, bugio, lobo-guará, onça-parda, jaguatirica, veado-mateiro e cervo-do-pantanal.

Ainda não há informação sobre as causas do fogo, nem o tamanho da área atingida.

Uma outra força-tarefa, formada por Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, servidores públicos e voluntários, tenta há uma semana controlar o fogo que queima a vegetação nativa da Serra do Japi, uma cadeia de montanhas de 354 quilômetros quadrados que ocupa áreas de quatro municípios na região de Jundiaí.

No trecho da serra que está na cidade de Cabreúva, vários focos continuam ativos na tarde desta quinta-feira (26).

Ao menos 4 milhões de metros quadrados de vegetação foram queimados, segundo a prefeitura. A serra, cujo ponto mais alto atinge 1.250 m, se estende pelos municípios de Jundiaí, Pirapora de Bom Jesus, Cajamar e Cabreúva e representa uma das últimas grandes áreas de floresta contínua do estado.

Segundo a coordenação da Defesa Civil de Cabreúva, equipes estão se revezando ao longo das madrugadas num trabalho de prevenção para que o fogo não atravesse trechos de estradas, que neste momento funcionam como aceiros.

Nesta quinta, uma caixa d’água de 60 mil litros foi emprestada por uma empresa da cidade para facilitar o abastecimento do helicóptero da Polícia Militar.

A força-tarefa também passou a contar a partir desta quinta com o apoio de voluntários de Itu, que levaram uma camionete que vai ajudar no transporte de água até os locais mais próximos do fogo.

Ao longo dos últimos dias, o trabalho de combate também chegou a ser feito por aviões agrícolas com água e espuma antichamas.

O jornalista Samuel Nunes, que atua na ONG Mata Ciliar, que faz a reintrodução de animais silvestres na natureza, disse que recebeu nesta semana animais órfãos e atropelados que podem ter se acidentado ao tentarem escapar do fogo na serra.

Segundo ele, no primeiro semestre do ano passado, a ONG abrigou 259 animais órfãos ou atropelados. Neste ano já são 780.

“Esse número é mais perceptível se considerarmos o estado de São Paulo como um todo, mesmo porque tudo está queimando. Ontem mesmo realizamos a soltura de uma onça que havia sido resgatada de queimada na região de Jaboticabal”, disse.

Morro Agudo, na região metropolitana de Ribeirão Preto, entrou nesta semana como o segundo lugar do estado no ranking de queimadas feito pelo Inpe.

De acordo com a prefeitura, os incidentes são resultado das altas temperaturas frequentemente registradas na região, mas também de questões específicas. Ela alega que a zona rural é coberta em grande parte por canaviais, que acabaram ficando com a palha seca por causa das geadas de inverno de duas ou três semanas atrás e que agora viraram material de fácil combustão.

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