Cidades do interior de SP vetam lanchas, bebida e até encontro de 4 pessoas

MARCELO TOLEDO
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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A antecipação de feriados na capital do estado como tentativa de diminuir a circulação de pessoas na cidade e frear a disseminação da Covid-19 pode fazer com que muitos paulistanos queiram viajar para o interior. Dependendo do que desejem fazer, porém, poderão enfrentar obstáculos. Também bastante pressionadas com a pandemia do novo coronavírus, que acelerou casos da Covid-19 e lotou enfermarias e UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), prefeituras paulistas implantaram multas a quem organizar festa, proibiram o uso de lanchas e a venda de bebidas alcoólicas, vetaram o aluguel de chácaras e querem impedir reuniões que tenham mais de três pessoas. As preocupações atingem diretamente municípios que têm elo com o turismo, mas não só elas. Em Batatais, município que é estância turística, um decreto estabeleceu multa de R$ 4.363,50 a quem for flagrado organizando festa durante o lockdown. O dono do imóvel usado para o evento será multado no mesmo valor. A cidade adotou lockdown a partir desta quinta-feira (18), com validade inicial de cinco dias, conforme decreto do prefeito Juninho Gaspar (PP), que disse ter tomado a medida após a ocupação total de leitos na região. "Antes, com 100% da ocupação da UTI, nós ainda tínhamos a possibilidade de encaminhar pacientes, de regular pacientes, para outros municípios", disse. Também estância turística, Socorro proibiu desde o dia 9 a locação de chácaras para lazer, festas ou qualquer tipo de evento que cause aglomeração enquanto durarem as medidas mais restritivas no estado. Segundo o decreto do prefeito Ricardo Lopes (PTB), a proibição se estende aos donos de chácaras que queiram fazer eventos ou festas particulares com muitas pessoas. Já na pequena Rifaina, cidade de 3.600 habitantes na região de Franca, o que não pode ser usado são as mais de 20 marinas que abrigam 1.200 lanchas, barcos e motoaquáticas. A cidade terá lockdown neste final de semana e, com o crescimento acelerado de casos, a tendência é manter as medidas restritivas nos finais de semana seguintes, como o feriado prolongado da Páscoa. A cidade fica às margens da represa de Jaguara, na divisa com Minas Gerais, e tem no turismo seu principal motor econômico. Para evitar a circulação de pessoas, até o serviço de delivery foi proibido agora. “Se liberarmos, os turistas vêm para os ranchos [são 600] e vão pedir comida”, disse o secretário de Governo da cidade, Alcides Diniz dos Santos. O município tinha 97 casos do novo coronavírus até o fim de janeiro e, hoje, já chegou a 259. “São 162 casos em 45 dias, temos paciente aguardando vaga de UTI e não existe essa vaga.” A praia artificial está fechada há um ano. Multar infratores foi a solução encontrada também por Campinas, que proibiu festas familiares que reúnam mais de dez pessoas, além de prever até um mês de detenção ao dono do imóvel, durante o toque de recolher que entrou em vigor às 20h desta quinta-feira (18). As prefeituras de Campinas e cidades da região metropolitana devem se reunir nesta sexta (19) para avaliar a necessidade de adoção de outras medidas de restrição, como um lockdown —medida já implementada por mais de duas dezenas de cidades do interior paulista, como Ribeirão Preto e Araraquara. O lockdown em Ribeirão Preto também gerou um efeito curioso na região. Com seus supermercados fechados desde quarta-feira (17), consumidores da cidade passaram a viajar para municípios da região metropolitana para fazer compras. Serrana, distante 20 quilômetros e que segue com o comércio essencial funcionando, adotou barreiras sanitárias e passou a controlar a entrada e saída com equipes da Guarda Civil Municipal e da Vigilância Sanitária. O objetivo é diminuir a circulação de pessoas. A cidade é alvo de um estudo com aplicação em massa da vacina Coronavac para analisar o impacto da medida na contenção do novo coronavírus. A maioria das cidades que adotaram medidas mais restritivas nesta semana são das regiões de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, as duas que mais geram preocupação neste momento no estado. É o caso de Nova Granada, na região de Rio Preto, que também adotou lockdown e passou a utilizar nos pacientes diagnosticados com Covid-19 uma pulseira vermelha, que deve ser mantida enquanto não tiverem alta. Só o médico pode retirá-la, e há uma multa de R$ 300 em caso de descumprimento. A medida foi adotada devido ao agravamento da pandemia e por conta do descumprimento do isolamento social pelos infectados, segundo a prefeita Tânia Yugar (PSD), que é médica. Já em Tupã, na região de Marília, a venda de bebidas alcoólicas foi proibida pelo prefeito Caio Aoqui (PSD) todos os dias da semana após as 20h e o dia todo aos sábados e domingos. Em Itararé também há veto à venda e distribuição de bebidas alcoólicas, mas a partir das 17h —nem mesmo por delivery—, e a prefeitura decretou a proibição de encontros em vias públicas que tenham mais de três pessoas. No último domingo, uma força-tarefa reunindo Guarda Civil Municipal, Polícia Militar e secretarias da administração flagrou 72 pessoas sem máscaras em aglomerações nas regiões dos rios Bico do Corvo, Capituva e Tomada D’Água. O megaferiado em São Paulo terá início na próxima sexta-feira (26), com a antecipação de duas datas deste ano e três de 2022. Com isso, o recesso que começará dia 26 seguirá no período de 29 de março a 1º de abril, emendando com a Sexta-Feira Santa, dia 2, e São Paulo terá um período sem datas úteis por dez dias.