Cidades iranianas em greve em homenagem às vítimas da repressão

Várias cidades do Irã estão em greve nesta quarta-feira (9), relembrando os 40 dias de luto pelas vítimas da repressão em Zahedan, informaram grupos de direitos humanos.

O movimento de protesto em Zahedan, na região do Sistão-Baluchistão, começou em 30 de setembro, depois que um policial foi acusado de estuprar uma adolescente.

Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 92 pessoas morreram em 30 de setembro. Desde então, outras 28 pessoas morreram na cidade e em outras cidades da província.

Esses incidentes violentos ocorreram duas semanas após a morte, em 16 de setembro, de Mahsa Amini, uma mulher curda de 22 anos detida pela polícia da moralidade em Teerã por violar o rígido código de vestimenta do país.

Após sua morte, uma onda de protestos agitou várias cidades do Irã, incluindo a capital Teerã. Mais de 186 pessoas morreram na repressão, entre elas mulheres e crianças, segundo o IHR, que registrou milhares de detidos - dissidentes, jornalistas e advogados.

Apesar da pressão, as manifestações contra a morte de Mahsa Amini continuaram.

Nesta quarta-feira, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou que o Irã busca silenciar sistematicamente as mulheres, ao prender um número sem precedentes de mulheres jornalistas na repressão aos protestos.

- "Com o mesmo objetivo" -

De acordo com o grupo de defesa dos direitos dos curdos do Irã, Iran Hengaw, com sede na Noruega, as lojas permaneceram fechadas nas cidades curdas de Baneh, Kermanshah, Marivan, Sanandaj e Saqez, a cidade natal de Mahsa Amini.

Essas greves foram organizadas "em solidariedade às pessoas mortas em Zahedan, por ocasião das cerimônias de luto organizadas 40 dias após a morte", informou.

"O que aconteceu em Zahedan é, sob a lei internacional, um exemplo claro de um massacre de civis", disse Hengaw no Twitter. "Deve ser reconhecido por organizações internacionais e por governos ocidentais".

As autoridades iranianas informaram que pelo menos seis membros das forças de segurança foram mortos nos distúrbios no Sistão-Baluquistão.

Segundo analistas, as baluchis se inspiraram nas manifestações ligadas à morte de Mahsa Amini.

"As manifestações de 2022 reúnem iranianos indignados e frustrados com o mesmo objetivo de derrubar o regime teocrático" no país, disse à AFP Saeid Golkar, professor adjunto da Universidade do Tennessee.

A região do Sistão-Baluchistão, uma área pobre do sudeste do Irã, na fronteira com o Afeganistão e o Paquistão, é povoada pela minoria baluchi, majoritariamente sunita, enquanto a maioria da população do país professa o islamismo xiita.

Ativistas e ONGs lamentam que a região sofra discriminação por parte das autoridades, com um número desproporcional de baluchis mortos em confrontos com as forças de segurança a cada ano ou condenados e executados.

Nesta quarta-feira foram anunciadas as mais recentes execuções. A autoridade judiciária informou em seu site a execução na prisão de Zahedan de dois homens, Rashid Baluch e Eshaq Askani, acusados de ter matado quatro policiais em 2016.

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