EUA acusam Venezuela de assassinatos e torturas para "consolidar" Maduro

Washington, 20 abr (EFE).- O governo dos Estados Unidos acusou nesta sexta-feira as forças de segurança da Venezuela de realizarem uma campanha de torturas e assassinatos extrajudiciais durante o ano passado devido às próximas eleições presidenciais, com o objetivo de "consolidar" o presidente Nicolás Maduro no poder.

Segundo a denúncia feita por Washington no relatório sobre Direitos Humanos elaborado anualmente pelo Departamento de Estado americano, o governo da Venezuela inclusive patrocinou os chamados "coletivos", grupos paramilitares que usam a violência para calar as vozes contrárias ao atual Executivo.

"Os assuntos mais significativos quanto aos Direitos Humanos incluem assassinatos extrajudiciais por parte das forças de segurança, incluindo aqueles executados pelos coletivos 'patrocinados' pelo governo e torturas exercidas pelas forças de segurança", denuncia o relatório.

Além disso, o documento faz referência às duras condições nas prisões venezuelanas, que chegam a colocar em risco a vida dos reclusos, assim como ao aumento das "detenções arbitrárias" e à existência de "presos políticos", o que representa uma ingerência "ilegal" do governo venezuelano na vida privada dos cidadãos.

Os Estados Unidos também denunciaram a falta de independência sofrida pelo Poder Judiciário na Venezuela.

"A Venezuela é formalmente uma república multipartidária e constitucional, mas durante mais de uma década o poder político esteve concentrado em um único partido com um Executivo cada vez mais autoritário que exerce um controle significativo sobre o Judiciário, o Legislativo e os cidadãos", sustenta o documento.

Segundo o relatório, por causa das eleições presidenciais que serão realizadas em 20 de maio, o governo de Maduro realizou múltiplos abusos com o propósito de garantir a vitória do atual líder.

"O governo deteve milhares de indivíduos, julgou centenas de pessoas em tribunais civis e militares, e condenou aproximadamente 12 prefeitos da oposição a penas de prisão de 15 meses pela suposta incapacidade ao controlar os protestos que aconteceram", explica o texto.

As ingerências do Executivo também afetaram a sociedade civil e a imprensa, ao bloquear a emissão de sinais de forma "rotineira" e ao ordenar o fechamento emissoras de rádio e televisão, assim como de outros veículos.

O relatório, que serve como guia para o Congresso americano quando precisar decidir a ajuda externa para cada país, examina o comportamento dos governos estrangeiros de todo o mundo a respeito dos direitos humanos. EFE