CIDH pede luz verde à Colômbia para observar protestos no país

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Manifestantes bloqueiam uma estrada em um novo protesto antigovernamental em Medellín, Colômbia, em 12 de maio de 2021

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da OEA, informou nesta sexta-feira (14) que pediu luz verde à Colômbia para uma visita de trabalho para observar em primeira mão a situação no país, abalado há duas semanas por grandes protestos antigovernamentais.

“A CIDH, em virtude de seu mandato e em resposta ao pedido de milhares de pessoas, centenas de organizações e movimentos sociais na Colômbia, formalizou um pedido de consentimento do Estado para realizar uma visita de trabalho sobre a situação dos direitos humanos durante protestos sociais", informou a Comissão em sua conta no Twitter.

Em carta dirigida ao governo do presidente Iván Duque, a secretária executiva em exercício da CIDH, María Claudia Pulido, destacou que espera uma resposta "o mais breve possível", destacando a disposição da CIDH de viajar "imediatamente à Colômbia".

A carta é datada de 7 de maio e dirigida à então chanceler Claudia Blum, que renunciou na quinta-feira em meio a condenações internacionais pelos graves excessos cometidos pela polícia contra civis nos grandes protestos antigovernamentais.

Desde 28 de abril, os confrontos causaram pelo menos 42 mortes, incluindo um homem uniformizado, e deixaram cerca de 1.500 feridos, segundo dados oficiais, números que estariam subestimados, de acordo com ONGs locais.

A CIDH informou ter recebido denúncias de “pessoas falecidas e desaparecidas, atos de violência sexual, tortura e tratamento cruel, desumano e degradante contra manifestantes, abusos contra defensores e ataques a indígenas”.

A Comissão acrescentou que também recebeu relatórios de "ataques e vandalismo contra policiais e propriedades do Estado".

Os protestos, inicialmente contra um projeto de reforma tributária já engavetado, se transformaram em uma demonstração mais ampla de sentimento antigovernamental em um país que convive com a violência do conflito armado e do tráfico de drogas e as dificuldades econômicas agravadas pela pandemia de covid-19.

A CIDH faz parte da Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo mandato decorre da Carta da OEA e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

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