Cientista que previu 250 mil mortes por Covid-19 no Reino Unido está com coronavírus

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - O coordenador de um estudo que previu até 250 mil mortes por causa do coronavírus se o Reino Unido não adotasse medidas drásticas de isolamento social anunciou nesta quinta (19) que seu teste para contágio deu positivo.

Neil Ferguson, professor do Imperial College de Londres, havia se auto-isolado na quarta depois de ter se sentido mal na noite anterior. Na segunda, ele divulgou estudo feito por 30 cientistas sobre qual seria o impacto de não adotar um combate mais duro à pandemia.

Pelos cálculos da equipe de Ferguson, haveria 1,2 milhão de morte nos Estados Unidos e 250 mil no Reino Unido sem a adoção de restrições severas à circulação.

Um dos principais motivos para isso é que, com o contágio mais acelerado, o número de doentes graves superaria a capacidade do sistema de saúde em até 30 vezes.

Hospitais superlotados e esgotamento de unidades de terapia intensiva tem provocado um número muito maior de mortes na Itália, na comparação com outros países.

O país europeu divulgou hoje 3.405 mortes, o maior número no mundo. São 5,7 mortes para cada 100 mil habitantes, enquanto na China são 0,23.

Os cálculos feitos por Ferguson aceleraram a implantação de restrições mais duras no Reino Unido, como proibir eventos e fechar escolas.

Nas redes sociais, o epidemiologista disse que estar infectado pelo vírus cujos impactos estava estudando era "uma experiência estranha", e que estava se sentindo "mal, mas não péssimo".

Respondendo a uma pergunta, afirmou que seus sintomas haviam sido tosse seca e depois febre, "mas os sinais variam de pessoa para pessoa".