Cientistas da UFRJ lideram nova descoberta sobre ELA

Rafael Garcia
Imagem de microscópio mostra neurônio com acúmulo de Sod1, proteína envolvida na ocorrência de esclerose lateral amiotrófica, doença neuromotora que provoca paralisia

SÃO PAULO — Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram um mecanismo bioquímico envolvido na esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença nervosa que causa paralisia grave e irreversível.

O risco de aparecimento da enfermidade depende da combinação de diferentes variantes de genes que codificam a enzima Sod1 — uma proteína que ajuda a proteger o corpo do do estresse oxidativo relacionado ao envelhecimento, mas pode se acumular como "entulho" nas células nervosas quando o organismo não a recicla.

— O acúmulo de agregados proteicos é uma característica importante da ELA e, até hoje, ainda não se compreende perfeitamente por que as proteínas se comportam e se agregam de uma forma inadequada na doença — diz Elis Eleutherio, professora do Instituto de Química da UFRJ que liderou o trabalho. Em parceria com cientistas da Universidade de Göttingen, na Alemanha, ela oferece agora uma hipótese.

Seu estudo, publicado na ediçao desta terça-feira (3) da revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, mostra que o risco de a doença surgir está ligado a genes que codificam os subcomponentes da Sod1. A proteína normalmente é formada por dois monômeros — duas "peças" proteicas que se encaixam e formam um dímero, a versão funcional da Sod1 .