Cientistas da USP querem colocar o luto no metaverso

Pesquisadores querem ajudar as pessoas a lidarem com o luto através do metaverso (Getty Image)
Pesquisadores querem ajudar as pessoas a lidarem com o luto através do metaverso (Getty Image)
  • Metaverso: Projeto nasceu durante o período de isolamento social

  • Pesquisadores querem usar o metaverso para ajudar com o luto

  • Criadores dizem que ideia não é atrelado a nenhuma religião

Criptomoedas, avatares e NFTs: esses são alguns dos itens que compõe o complexo conceito de metaverso. Para expandir ainda mais as possibilidades do mundo virtual, um projeto criado pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP quer trabalhar o luto no ambiente digital.

O Transcender foi criado pelo Laboratório de Arte, Mídia e Tecnologias Digitais (LabArteMídia) em 2020, o primeiro ano da pandemia de covid-19. Durante o éríodo de isolamento social, familiares e amigos das pessoas que morrera, não conseguiam se despedir de quem amavam.

Para driblar as barreiras físicas, os pesquisadores desenvolveram um ambiente audiovisual imersivo em 3D, com vídeos em 360 graus produzidos para serem vistos com o apoio de equipamentos de realidade virtual.

“Procuramos pensar uma forma de realizar esses rituais minimamente on-line, para que as famílias tivessem a oportunidade de se despedir, por mais que eles não pudessem substituir os rituais feitos fisicamente”, contou Deisy Feitosa, integrante do LabArteMídia e pós-doutoranda da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), em entrevista ao Jornal da USO.

Pela falta de apoio financeiro, o projeto encontrou no metaverso a possibilidade de continuar conectando pessoas através da tecnologia. A ideia é que a plataforma que está sendo desenvolvida possibilite a vivência de rituais de despedidas, nos quais as pessoas, através de seus avatares, possam se reunir para criar homenagens aos falecidos, lançando mão de fotos, vídeos, sons e outras mídias.

Os encontros virtuais se tornariam memoriais, que poderiam ser visitados e ampliados posteriormente. Os criadores ressaltam que o projeto não está sendo desenhado para nenhuma religião específica. “O importante é a experiência afetiva do ritual", dizem os criadores.

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