Cientistas descobrem como produzir oxigênio a partir de poeira da Lua

Daniele Cavalcante

Com o anúncio do Programa Artemis, que levará astronautas de volta à Lua a partir de 2024, cientistas estão buscando uma maneira de facilitar a vida dos que pousarem em nosso satélite natural. Uma das dificuldades que limitam as atividades na Lua é a falta de oxigênio, mas pesquisadores da Agência Espacial Europeia (ESA) afirmam ter encontrado uma maneira de produzi-lo a partir de um recurso abundante por lá: a poeira lunar.

De acordo com os cientistas do projeto, as amostras de poeira lunar trazidas e analisadas aqui na Terra possuem entre 40% e 45% de oxigênio. O problema é que esse oxigênio é ligado quimicamente com o óxido na forma de minerais ou vidro. A solução é separar esse componentes para tornar o oxigênio disponível para a respiração dos astronautas.

A equipe então montou o protótipo de uma instalação em um laboratório do Centro Europeu de Pesquisa e Tecnologia Espacial, na Holanda. Ali, eles descobriram que é possível extrair o oxigênio da poeira lunar, também conhecida como regolito. "Ter as nossas próprias instalações permite-nos focar na produção de oxigênio, medindo-o com um espectrômetro de massa à medida que é extraído do simulador de regolito", disse Beth Lomax, da Universidade de Glasgow.

Além do oxigênio, o processo também produz metais a partir do regolito lunar (Foto: ESA)

Para que a extração de oxigênio seja possível, a equipe usou a eletrólise ígnea. O regolito é colocado em um recipiente de metal com sal de cloreto de cálcio fundido para servir como eletrólito, a uma temperatura de 950 °C. A esta temperatura, o regolito permanece sólido, mas a passagem de uma corrente faz com que o oxigênio seja extraído do regolito e percorra através do sal para, enfim, ser coletado em um elétrodo.

Outra vantagem desse processo é que, após a extração do oxigênio, o regolito é convertido em ligas metálicas utilizáveis. “O processo de produção deixa para trás um emaranhado de metais diferentes”, disse Alexandre Meurisse, pesquisador da ESA, “e essa é outra linha de pesquisa útil, para ver quais são as ligas mais úteis que poderiam ser produzidas a partir deles e que tipo de aplicações poderiam ter”.

Meurisse também acrescentou que com o sucesso do funcionamento dessas instalações de protótipo, “podemos ajustá-las, por exemplo, reduzindo a temperatura de operação e, finalmente, projetando uma versão deste sistema que poderia um dia voar para a Lua para ser operada lá”.

Essa “fábrica de oxigênio” opera silenciosamente. Nessa versão do protótipo, o oxigênio produzido é ventilado para um tubo de escape, mas em futuras atualizações do sistema ele será conduzido a um local de armazenamento. “Ser capaz de adquirir oxigênio a partir dos recursos encontrados na Lua seria obviamente extremamente útil para futuros colonos lunares, tanto para respirar quanto para a produção local de combustível de foguete”, comentou Lomax.

Após a construção de uma “planta piloto” da fábrica de oxigênio, a tecnologia deverá ser demonstrada em meados da década de 2020.


Fonte: Canaltech

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