Degelo nas geleiras da Patagônia acelerou de 2011 a 2017, diz ESA

Paris, 3 mai (EFE).- O retrocesso do volume de gelo nas geleiras da Patagônia, que são os que mais sofrem com este processo pelo aquecimento global em todo o mundo, acelerou entre 2011 e 2017, segundo a Agência Espacial Europeia (ESA).

Nesse período, os campos de gelo patagônicos perderam uma massa de 21 gigatoneladas ao ano, o que equivale a uma elevação do nível do mar de 0,06 milímetros e supôs um aumento de 24% com relação ao constatado entre 2000 e 2014, destacou nesta quinta-feira em comunicado a ESA.

Esses cálculos são derivados de uma nova forma de processar os dados obtidos pelo satélite CryoSat, que examina as geleiras com mais detalhe ao fazer uma varredura de toda a superfície.

"Graças ao CryoSat descobrimos que entre 2011 e 2017 a diminuição do espessura foi generalizada, especialmente no norte dos campos de gelo", explicou Luca Foresta, um dos pesquisadores da Universidade de Edimburgo que trabalhou nessa técnica inovadora.

Um bom exemplo foi a geleira Jorge Montt, que chega até o oceano, diminuiu em 2,5 gigatoneladas ao ano e retrocedeu 2,5 quilômetros; e a de Upsala, que deságua em um lago e perdeu 2,68 gigatoneladas de gelo ao ano.

Já ao contrário, o geleira Pio XI - a maior da América do Sul - aumentou seu volume em 0,67 gigatoneladas ao ano.

A ESA, que lembra que todos as geleiras da Terra estão em baixa e que durante os últimos 15 anos o degelo foi o principal responsável pelo aumento do nível do mar, explica que isso está ocorrendo mais rapidamente na Patagônia por duas razões.

Primeiro porque o clima no local é "relativamente temperado" e depois porque suas geleiras costumam desembocar em fiordes e lagos, o que acelera o degelo e faz com que deságuem mais rápido e reduzam a massa de gelo em forma de iceberg em suas margens. EFE