Cientistas descobrem solução promissora para o fim dos pesadelos, entenda

Quem nunca foi assombrado no dia seguinte com imagens, lembranças e sensações de pesadelos da noite anterior. O sonho parece tão vivido, que as imagens repercutem no dia a dia transformando o humor e aumentando a ansiedade. Tais sintomas podem levar ao diagnóstico de transtorno de pesadelo, uma condição do sono que afeta cerca de 4% dos adultos, de acordo com a Academia Americana de Medicina do Sono. Entretanto, cientistas de Genebra podem ter encontrado uma solução promissora para isso.

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Segundo eles, tocar um som em que a pessoa associa a algo positivo durante o sono R.E.M., ou também chamado de sono paradoxal, o último estágio do ciclo do sono, que dura cerca de 20 minutos cada e é nele que os sonhos acontecem. Esta é a fase em que os sonhos são mais vívidos. Nesse momento, por exemplo, nosso batimento cardíaco acelera e ocorrem as chamadas paralisias do sono, pois o cérebro bloqueia os neurônios motores para que o corpo não reproduza os movimentos ocorridos nos sonhos.

O resultado da pesquisa mostrou uma redução de quatro vezes nos pesadelos em relação à terapia básica sozinha, ou seja, a terapia de ensaio de imagens, uma forma de treinamento cognitivo-comportamental que ensina as pessoas a pensar em seus pesadelos com finais positivos. Ainda assim, nem todos com transtorno de pesadelo respondem ao tratamento, dizem os especialistas.

“Até onde eu sei, este é o primeiro estudo clínico e terapêutico que usa a ativação da memória alvo para acelerar e melhorar a terapia”, afirma Lampros Perogamvros, psiquiatra do Laboratório do Sono da Universidade de Genebra e um dos principais autores do estudo.

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O estudo contou com 36 participantes separados em dois grupos. No primeiro, 18 pessoas com transtorno de pesadelo ouviram um som neutro – uma corda de piano – enquanto reinventavam seus pesadelos de maneiras mais positivas. Um outro grupo de controle, que também tinham pesadelos, não ouviu nenhum som adicional, enquanto retrabalhavam seus sonhos.

Todas as 36 pessoas receberam uma faixa de cabeça para usar à noite por duas semanas. Além de monitorar os estágios do sono, o dispositivo emitia o som de uma forma que não acordava o participante.

O som foi entregue a ambos os grupos a cada 10 segundos durante a fase de sono R.E.M. durante um período de duas semanas. Nesse caso, “a terapia de ensaio de imagens funcionou para todos os participantes, incluindo o grupo de controle”, disse Perogamvros, entretanto, “no grupo experimental, onde o som foi associado positivamente, a diminuição foi significativamente maior – eles tiveram quase quatro vezes menos pesadelos”, acrescentou.

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O pesquisador afirma que estudos adicionais serão necessários para comprovar e verificar os resultados, entretanto, é esperançoso em expandir o conceito e espera que a nova técnica possa ajudar cerca de 30% dos pacientes que não respondem bem à terapia de ensaio de imagens.