Cientistas detectam indício de efeito da Teoria da Relatividade em estrela

Berlim, 9 ago (EFE).- Cientistas europeus detectaram no leve desvio de uma estrela em relação à órbita o primeiro indício dos efeitos da Teoria da Relatividade de Einstein sobre esse tipo de corpo celeste, de acordo com a física clássica.

O Observatório Austral Europeu (ESO) informou nesta quarta-feira em um comunicado que uma equipe de astrônomos fez esta descoberta após revisar dados coletados pelo telescópio VLT nos últimos 20 anos da estrela S2, próxima ao buraco negro supermassivo que está localizado no centro da Via Láctea.

Ao comparar os dados orbitais observados com os teóricos da física newtoniana, foi registrado um pequeno desvio que "é consistente com as previsões da relatividade geral".

Segundo o ESO, é a primeira vez que se obtém uma medida da força dos efeitos relativistas gerais em estrelas orbitando ao redor de um buraco negro supermassivo.

Esse "leve" desvio é um dos "sutis efeitos" previstos pela Teoria da Relatividade Geral, um "resultado promissor" para novos trabalhos nesse âmbito que o ESO realizará nos próximos meses.

O Observatório pretende continuar estudando a S2 em 2018, momento em que a estrela ficará muito próxima do buraco negro, com a incorporação de um novo instrumento que melhorará a precisão das medições.

O buraco negro do centro da Via Láctea, o mais próximo da Terra, se encontra a cerca de 26 mil anos luz de distância do nosso planeta e tem uma massa quatro milhões de vezes maior que a do sol.

Este "monstro" está cercado por um pequeno grupo de estrelas, entre elas a S2, que orbita em grande velocidade no forte campo gravitacional do buraco negro, um entorno "perfeito", segundo o ESO, "para provar a física gravitacional e, particularmente, a Teoria da Relatividade". EFE