Cientistas lançam alerta vermelho para a Amazônia e pedem moratória de desmatamento

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SÃO PAULO -- O Painel Científico para a Amazônia (TheScience Panel for the Amazon-SPA), desenvolvido por mais de 200 cientistas,anunciou um alerta vermelho para a Amazônia e recomendou aos tomadores dedecisão uma moratória imediata do desmatamento em áreas que estão próximas deatingir o ponto de inflexão - ou não retorno. No Brasil, a região correspondeao território que abrange o oeste do Maranhão, o sul do Pará e segue em direçãoao Mato Grosso, Rondônia e Acre. Mais recentemente, o Sul do estado do Amazonastambém tem sido afetado.

A recomendação faz parte do Sumário Executivo do documentoelaborado pelo grupo, a ser lançado oficialmente na COP 26, sigla paraConferência das Partes, que reunirá em novembro, em Glasgow, na Escócia,representantes de 197 nações para discutir as mudanças climáticas e as formasde combatê-las.

A bióloga e pesquisadora Mercedes Bustamante, membro daAcademia Brasileira de Ciências e professora da Universidade de Brasília (UnB)afirma que os surtos de desmatamento, a degradação provocada por queimadas, oscortes seletivos e as mudanças climáticas aproximam a Amazônia do perigosoponto de não retorno.

- É preciso coibir as atividades ilegais para que sejapossível estabelecer uma economia baseada na biodiversidade da floresta,aproveitando os recursos biológicos para desenvolver cadeias produtivas baseadasna biodiversidade da Bacia Amazônica. A bioeconomia precisa ganhar escala eincentivos apropriados - diz Mercedes.

De acordo com o documento, aproximadamente 17% dasflorestas amazônicas foram convertidas para outros usos da terra e pelo menos outros 17% foram degradados. A maior parte do desmatamentoocorreu no Brasil, que perdeu 457.237 km² até 2020, com o desmatamento anualatingindo mais de 10 mil km² nos dois últimos anos, número que não eraalcançado desde 2008. Na Amazônia colombiana a taxa de desmatamento caiu entre2017 e 2018, mas aumentou em 2020 e chegou a 1.090 km².

O desmatamento, a degradação e o impacto da mudança do climagera mudança no funcionamento da floresta. A Bacia do Rio Amazonas, dizem oscientistas, é um dos elementos mais críticos da Terral, pois as florestas agemcomo um "ar-condicionado" gigante, reduzindo as temperaturas dasuperfície da terra e gerando chuva dentro e fora dos trópicos. A regiãoresponde ainda pela maior descarga fluvial do planeta, com 16 a 22% do total derios que chegam aos oceanos no mundo.

Na Amazônia vivem cerca de 47 milhões de pessoas, incluindocerca de 2,2 milhões de indígenas, distribuídos em mais de 400 grupos, quefalam mais de 300 línguas. Os cientistas lembram que os indígenas e ascomunidades locais têm papel fundamental na conservação e gestão sustentável dadiversidade agrícola e biológica da Amazônia, mas estão sob ameaça.

O Brasilresponde por 60% na Bacia Amazônica - 40% estão em países vizinhos - e oscientistas defendem um acordo regional de combate às atividades ilícitas.

Dois terços dos cientistas que participaram do estudo vivemna Amazônia e o grupo integra também cientistas indígenas. Segundo eles, aBacia Amazônia é única e insubstituível e o bioma Amazônia é crucial para osistema climático terrestre

Além de frear o desmatamento, o documento defende ainda aurgência de restaurar os ecossistemas, que reúnem mais de 10% das espécies vegetais e animais do planeta.

O grupo afirma que alcançar desmatamento e degradação zerona Amazônia até 2030 depende de esforços conjuntos de formuladores de políticaspúblicas, do setor financeiro e privado, da sociedade civil e da comunidadeinternacional.

O Painel Científico para a Amazônia (SPA) integra a Rede deSoluções de Desenvolvimento Sustentável (SDSN) e foi estabelecido após líderesda Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Surinamee assinarem o Pacto de Letícia para a Amazônia, em 2019. O acordo compromete osgovernos dos sete países a conservar a Amazônia e sua biodiversidade.

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