Cientistas negam existência de duas linhagens do novo coronavírus

Ana Lucia Azevedo
Foto: Getty Images

O estudo chinês que indicou a existência de duas linhagens do Sars-CoV-2 no mundo está sendo contestado por especialistas em virologia molecular. Eles consideram que a pesquisa se baseou numa interpretação errada dos dados epidemiológicos.

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O artigo sobre as linhagens foi publicado na revista National Science Review, da China, e teve ampla repercussão internacional. Porém, de imediato, surgiram contestações no meio científico. E fez pegar o fogo o Virological.org, um fórum de discussão e compartilhamento de dados de virologia.

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Na análise mais detalhada, Oscar MacLean e colegas do Centro de Pesquisa de Vírus da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, identificaram má interpretação de dados da epidemia, extrapolação das informações sobre o vírus e limitações da metodologia empregada para investigar as mutações do vírus.

Em resumo, MacLean garante que o estudo chinês não é capaz de sustentar suas afirmações e não há motivo comprovado para supor que existem duas linhagens. Conhecer as mutações e possíveis linhagens do vírus é fundamental porque tem desdobramentos, por exemplo, para o desenvolvimento de vacinas.

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O frenesi por conhecer melhor a Covid-19 deflagrou uma enxurrada de estudos em todo o mundo. Principalmente na China, epicentro da epidemia. Muitos desses estudos são divulgados sem revisão por pares. Essa revisão é um processo essencial na ciência, justamente para a identificar erros e impedir que sejam aceitos como fatos.

A mesma avalanche de estudos feitos às pressas e, muitas vezes, sem revisão por pares aconteceu com a emergência do zika no Brasil, quando se descobriu que o vírus poderia provocar microcefalia. A Covid-19 tem menos de três meses e permanece, em sua maior parte, misteriosa.