Cientistas suecos criam implante que libera medicamento por meio de comando eletrônico

Cientistas da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia, desenvolveram um implante que poderá ser utilizado para liberar medicamentos no organismo por meio de ativação eletrônica, como por um aplicativo. O projeto é uma superfície feita de polímero que muda de um estado de retenção de moléculas para liberação por meio de um impulso elétrico. O conceito, parte de um estudo publicado na revista científica Journal of the German Chemical Society, entrou em fase de desenvolvimento pela empresa de tecnologia Nyctea Technologies no último ano.

Herpes-zóster: Novo imunizante contra a doença chega ao Brasil e impulsiona discussão sobre vacinação

'Comportamento de manada' : Psiquiatras estudam mecanismos do fenômeno em humanos

FOMO: Sensação de estar ‘por fora’ é mais intensa após dois anos de pandemia? Entenda por que você não está sozinho

Inicialmente, a ideia foi concebida para simplificar e baratear a produção de biomedicamentos, remédios produzidos por células vivas. Para isso, o implante tem a capacidade de “guardar” biomoléculas e liberá-las pela ativação de um comando eletrônico, processo utilizado em uma das etapas de criação desse tipo de substância. Porém, os pesquisadores explicam que essa função possibilita que o projeto seja utilizado também para outros fins, como o de controlar a dispersão e a dosagem de medicamentos, algo inédito.

“Você pode imaginar um médico medindo a necessidade de uma nova dosagem de um medicamento em um paciente e em seguida um sinal de controle remoto ativando a liberação do remédio do implante localizado no próprio tecido ou órgão onde ele é necessário ”, exemplifica o pesquisador da universidade, autor do estudo e fundador da Nyctea Technologies, Gustav del Castillo, em comunicado.

Duchinha, lenço umedecido ou papel higiênico: Qual a forma correta de higienizar a região segundo especialistas?

Hoje, essa liberação local e gradual de remédios existe apenas com produtos que soltam o medicamento de forma contínua ou que são ativados por meio de mudanças no ambiente. É o caso, por exemplo, de comprimidos produzidos para soltar uma substância aos poucos no intestino a partir da mudança do pH de cada região do órgão pela qual a droga passa.

Agora, o novo implante poderá ser colocado no local exato do corpo onde o remédio precisa ser liberado e atuar com base em comandos de sistemas eletrônicos, alterando o momento da dispersão e a dosagem. Del Castillo explica, no entanto, que o projeto ainda está em fase inicial de desenvolvimento, portanto deve levar anos para se tornar realidade.

Saúde do cérebro: 'Os transtornos mentais ocorrem em diferentes graus', diz psiquiatra

“Ser capaz de controlar a liberação e absorção de proteínas no corpo com intervenções cirúrgicas mínimas e sem injeções de agulha é, acreditamos, uma propriedade única e útil. O desenvolvimento de implantes eletrônicos é apenas uma das várias aplicações concebíveis que estão muitos anos no futuro. A pesquisa que nos ajuda a vincular a eletrônica com a biologia em nível molecular é uma peça importante do quebra-cabeça nessa direção”, afirma o pesquisador.

Ele destaca ainda que o modelo de implante não requer grandes quantidades de energia e por isso não demanda a colocação de uma bateria no corpo, como em casos disponíveis hoje de intervenções médicas ligadas a estímulos elétricos. Trata-se de uma vantagem, uma vez que “a eletrônica em ambientes biológicos é frequentemente limitada pelo tamanho da bateria”, defende Del Castillo.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos