Cientistas transformam coronavírus em música para guiar pesquisas; ouça!

Natalie Rosa

Diversos estudos estão sendo feitos em relação ao novo coronavírus (SARS-CoV-2), responsável por provocar a doença COVID-19, e um deles visa usar a inteligência artificial para transformar o vírus em música, como forma de buscar mais detalhes sobre sua estrutura. A pesquisa vem sendo feita pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT.

Com esse sistema de inteligência artificial, o novo coronavírus tem a sua estrutura convertida em uma representação de áudio graças às suas proteínas espinhosas que espalham a infecção saindo do vírus e se incorporando às células humanas. Esses "espinhos" são aqueles que fazem o coronavírus parecer com uma coroa, e são compostos por aminoácidos, basicamente blocos de proteção de proteína.

Imagem: Reprodução

O MIT, então, transformou essas estruturas do novo coronavírus em sons, fornecendo a cada aminoácido uma nota única dentro de uma escala musical. Chegando a vez do algoritmo, os sons são convertidos em um pedaço de música que reflete a forma na qual as proteínas são dispostas. Ouça o resultado abaixo:

Markus Buehler, líder do projeto do MIT, disse que a música gerada pela inteligência artificial oferece conclusões únicas sobre o novo coronavírus. "Nossos cérebros são ótimos em processar o som. Em uma varredura, nossos ouvidos captam todas as suas características hierárquicas: tom, timbre, volume, melodia, ritmo e acordes", conta o cientista.

Material genético (Imagem: Reprodução/Markus Buehler)

Buehler relata ainda que seria preciso um microscópio de alta potência para conferir todos os detalhes de uma imagem, mas que nunca tudo poderia ser visto de uma vez só. "O som é uma maneira muito elegante de acessar as informações armazenadas em uma proteína", completa.

A composição criada pela inteligência artificial com base na estrutura do novo coronavírus pode ajudar cientistas na descoberta de um medicamento para a COVID-19, ou simplesmente a entender melhor como ele infecta o corpo humano. O cientista diz que também é possível buscar por uma nova proteína que seja compatível com o ritmo e a melodia de um anticorpo, esse capaz de se ligar à proteína espinhosa, interferindo então na sua capacidade de infectar.


Fonte: Canaltech

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