Cinco cocaleiros leais a Evo Morales morrem em confrontos na Bolívia

Médico observa corpos de cinco pessoas mortas durante confronto entre simpatizantes do ex-presidente Evo Morales e a Polícia em Sacaba, departamento de Cochabamba, 15 de novembro de 2019

Cinco cocaleiros leais ao ex-presidente boliviano Evo Morales morreram nesta sexta-feira (15) em violentos confrontos com a Polícia e militares nos arredores de Cochabamba (centro do país), comprovou a AFP em um hospital da cidade.

As autoridades não mencionaram nenhum morto nestes distúrbios, mas uma centena de detidos. Meios de comunicação noticiaram, por sua vez, pelo menos oito feridos.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou em um comunicado o "uso desproporcional da força policial e militar", enquanto confirmou os cinco mortos e destacou que havia um número indeterminado de feridos.

Milhares de cocaleiros provocaram durante quase todo o dia as forças policiais que impediam sua passagem pela ponte Huayllani, quando tentavam chegar à cidade de Cochabamba, a 18 km de distância, para se opor ao governo interino da presidenta interina Jeanine Áñez, sucessora de Morales, que está asilado no México.

A CIDH informou ainda que "as armas de fogo devem estar excluídas dos dispositivos utilizados pelo controle dos protestos sociais".

Os manifestantes "portavam armas, portavam escopetas, coquetéis molotov, bazucas caseiras e artefatos explosivos", razão pela qual foram detidas mais de cem pessoas, segundo o comandante da Polícia de Cochabamba, coronel Jaime Zurita.

"Estão usando dinamite e armamento letal como (fuzis) Mauser 765. Nem as forças armadas, nem a polícia têm esse calibre, por isso estou alarmado", acrescentou Zurita.

A tropa de choque da Polícia, apoiada por militares e um helicóptero, dispersou os manifestantes de noite.

Os conflitos sociais que estouraram um dia depois da vitória de Morales nas eleições de 20 de outubro, após denúncias sobre uma suposta fraude, deixaram até o momento dez mortos, mais de 400 feridos e 500 detidos, segundo a contagem oficial.

Os primeiros protestos foram protagonizados por opositores de Morales, mas agora são os partidários do ex-presidente que se manifestam contra Áñez.