Cinco detidos na França por ameaças a jovem que criticou o Islã

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Cinco pessoas foram presas pela polícia na terça-feira em uma investigação sobre ameaças de morte contra a adolescente Mila, depois que esta publicou um novo vídeo polêmico sobre o Islã em novembro.

Cinco pessoas foram presas provisoriamente nesta terça-feira (9) na França no âmbito da investigação sobre as ameaças de morte contra a adolescente Mila, depois que esta francesa de 17 anos postou um polêmico vídeo sobre o Islã em novembro.

Com idades entre 18 e 29 anos, os cinco detidos foram acusados de "cyberbullying" e "ameaças de morte", de acordo com a Promotoria de Paris.

"É hora de aqueles que fazem ameaças de morte saberem que podem acabar presos, em um tribunal e com antecedentes criminais", declarou à AFP o advogado de Mila, Richard Malka. "O medo tem que mudar de lado", acrescentou.

A investigação está sendo conduzida pelo recém-criado departamento jurídico de luta contra o ódio online, encarregado de centralizar este tipo de investigação em território francês.

"O Estado age para proteger #Mila", comemorou no Twitter o ministro do Interior, Gerald Darmanin.

Os autores das ameaças de morte podem ser condenados a até três anos de prisão e a uma multa de 45.000 euros.

A vida de Mila mudou completamente em janeiro de 2020 quando ela postou um vídeo, que se tornou viral, lançando críticas violentas ao Islã. "No Alcorão só existe ódio, o Islã é uma merda", disse na gravação.

Ela passou então a receber uma onda de ameaças, mas também de apoio em nome da liberdade de expressão.

Colocada sob proteção policial, ela teve que deixar sua escola de Ensino Médio em Isère (sudeste).

A adolescente então compartilhou imagens das ameaças de morte recebidas no Twitter, algumas delas referindo-se ao assassinato do professor Samuel Paty.

E em dezembro foi retirada do internato de um colégio militar que passou a integrar em sigilo, depois de revelar o nome do estabelecimento ao discutir com 20 pessoas em uma rede social.

A adolescente reivindica seu direito à blasfêmia, o mesmo que permitiu ao semanário satírico Charlie Hebdo, alvo em 2015 de um sangrento ataque jihadista com repercussão global, tratar de religiões, incluindo o Islã.

O presidente da República, Emmanuel Macron, chegou a falar publicamente sobre o caso de Mila para lembrar que "a lei é clara: temos o direito de blasfemar, criticar ou caricaturar as religiões" na França.

"A ordem republicana não é a ordem moral. O que é proibido é o apelo ao ódio, o ataque à dignidade", afirmou.

Essa onda de prisões acontece em pleno debate sobre o projeto de lei sobre o "separatismo" na França, que visa fortalecer o arsenal jurídico contra o Islã radical, reprimindo com mais severidade as mensagens de ódio na Internet.

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