Cinco frentes da guerra comercial de Trump

O presidente americano, Donald Trump, em Washington DC, em 31 de março de 2017

O presidente Donald Trump se propôs nesta sexta-feira a responder com mão de ferro a países que considera responsáveis pelo déficit comercial americano, de 500 bilhões de dólares.

O valor pode enganar, já que os Estados Unidos apresentam um déficit de 750 bilhões de dólares no comércio de bens e um superávit de US$ 250 bilhões no de serviços.

Essas são as cinco frentes escolhidas por Trump para defender a produção americana, utilizando como armas o protecionismo e medidas fiscais que favoreçam os exportadores.

- Primeira frente: China -

Em 2016 os Estados Unidos tiveram um déficit comercial com a China de 310 bilhões de dólares, incluindo bens e serviços. Trump ameaça taxar as importações chinesas.

Funcionários americanos, e o próprio Trump, acusam a China de práticas comerciais desleais para inundar o mercado com produtos mais baratos que os americanos.

"Estamos em uma guerra comercial. Estivemos durante décadas", disse Ross.

Trump receberá na semana que vem o presidente chinês Xi Jinping e já disse que o encontro será "difícil".

"Já não podemos ter altos déficits comerciais e perda de emprego", disse Trump. "As companhias americanas devem estar preparadas para outras alternativas", afirmou.

- Segunda frente: Nafta -

Trump considera o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) com o México e o Canadá o pior acordo já assinado pelos Estados Unidos. Quer renegociá-lo em benefício dos Estados Unidos ou abandoná-lo.

A Casa Branca já informou ao Congresso que tentará renegociar o Nafta através de uma carta, cujo tom parece ser menos drástico do que se esperava.

O déficit em bens e serviços do ano passado com o México foi de 62 bilhões de dólares, mas com Canadá, Estados Unidos teve um superávit de 8 bilhões de dólares.

- Terceira frente: moedas -

A Casa Branca acusa a China de manipular sua moeda para tirar vantagens comerciais e a Alemanha de explorar a desvalorização do euro para obter superávits comerciais.

O déficit dos Estados Unidos com a Alemanha foi de 68 bilhões de dólares em 2016.

Ao contrário do que Washington diz, Pequim interveio no mercado de câmbio, mas para sustentar sua moeda.

Um relatório sobre divisas do Departamento do Tesouro, divulgado em outubro, apontou que a China apenas cumpre um dos três critérios exigidos para considerá-la manipuladora da sua moeda: ter um elevado déficit com Estados Unidos.

Caso Washington declare a China um país que manipula sua moeda, isso poderá gerar um processo que resulte na imposição de sanções comerciais a Pequim.

Nesse relatório de outubro do Tesouro, afirma-se que a Alemanha cumpre dois dos três critérios (elevado déficit comercial e superávit de conta corrente superior a 3% do PIB), mas não manipula sua moeda. Como a Alemanha utiliza o euro, o país não pode influenciar diretamente na taxa de câmbio.

Ainda assim, a Casa Branca disse que quer ter uma conversa franca com a Alemanha para encontrar a forma de reduzir o déficit.

- Quarta frente: Ásia -

A primeira decisão comercial tomada por Trump foi retirar a os Estados Unidos do tratado de livre-comércio TransPacífico (TPP) assinado no governo Obama com outros 11 países da região Ásia-Pacífico.

Especialistas temem que a retirada dos Estados Unidos sem uma estratégia alternativa coerente, deixa a China livre para aumentar sua influência na região.

A China, que foi deliberadamente excluída do TPP, negocia com várias nações um novo acordo regional que, segundo analistas, pode cortar o acesso dos Estados Unidos a esses mercados.

- Quinta frente: OMC -

Trump também crítica a Organização Mundial de Comércio (OMC). Afirma que essa entidade é injusta com os Estados Unidos mesmo que Washington tenha um longo histórico de vitórias em pleitos ali, especialmente com a China.

Trump ameaçou taxar as importações de China e México como forma de reduzir o déficit comercial. No entanto, essas ações unilaterais podem contrariar as normas da OMC e exporiam os Estados Unidos a novos litígios na OMC.