Cinco meses após se despedir do mar, morre Izabel, que passava por cuidados paliativos no CE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Morreu de câncer na manhã desta segunda-feira (25), aos 48 anos, a microempreendedora Izabel Loiola, que em fevereiro mobilizou uma equipe médica de hospital público em Fortaleza (CE) para levá-la à praia para de despedir do mar. Ela lutava contra uma leucemia grave desde o ano passado.

Naquele mesmo dia, Izabel realizou o sonho de ser batizada nas águas do mar pelo pastor de sua congregação em Tauá, cidade do interior do Ceará, onde ela morava e passou seus últimos dias. Horas antes da cerimônia de despedida do mar, ela foi submetida a uma transfusão de sangue.

Na praia, Izabel estava rodeada por amigos e parentes que se deslocaram de outras cidades e estados para estarem com ela naquele momento especial. Ela não tinha filhos.

"Estou transbordando de alegria, que dia maravilhoso, foi perfeito. Estava sol, muito agradável. Parece até que foi um sonho", disse Izabel ao jornal Folha de S.Paulo na época, horas depois de chegar da praia de Iracema, onde permaneceu por duas horas.

A ida à praia foi parte programa de cuidados paliativos pelo qual ela passava em Fortaleza no Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, onde ela também se tratava.

Em 1º de abril, ela e seus familiares voltaram à mesma praia de Fortaleza para assistir ao pôr-do-sol, mas não entrou no mar.

"Ela quis mostrar para todo mundo que aquela não seria a última vez que ela iria para a praia. Ela adorava", afirma seu sobrinho, o dentista Francisco Chagas Loiola Júnior, 30.

Izabel passou por três tipos de protocolos para combater uma leucemia mieloide aguda, considerada grave e agressiva, mas que ela não respondeu a nenhum deles.

E por essa razão ela não pôde ser submetida ao transplante de medula óssea, segundo hematologista Yuri Nassar, que tratava de Izabel.

"Mesmo com tanta dor, ela sempre transbordava amor e até ajudou outros pacientes com sua atitude sempre positiva e inspiradora", afirma o médico.

Depois de receber esse diagnóstico, conta o sobrinho, Izabel buscava um tratamento alternativo com uma medicação, mas não deu tempo.

"Nós tínhamos fé que ela seria curada", afirma Júnior. "Ela dizia que eu e minha irmã Izadora éramos os 'filho do coração' dela. Já estamos sentindo muita saudade."

O quadro de Izabel piorou nas últimas semanas. Ela chegou a ser internada para controlar a dor, mas o fígado já estava comprometido e o rim já estava parando, segundo o sobrinho. O médico foi sincero sobre a gravidade do seu estado de saúde.

Na segunda-feira passada ela disse que desejava ir para casa, em Tauá, passar seus últimos momentos em família. E, ao sair do hospital de Fortaleza pela última vez, Izabel passou de carro pela praia que tanto gostava.

"Ela queria partir de forma natural. Ela pediu para não ser reanimada. Continuava muito lúcida. Passou os últimos dias a base de morfina para partir sem dor, mas precisamos levar ela a um hospital perto, onde ela morreu dormindo", relata Júnior.

Nassar afirma que ele e a equipe do hospital ficaram abalados com a morte de Izabel. "Ela era um ser de luz. Sempre comemorava com muita alegria cada pequena vitória, como quando tiramos um antibiótico ou quando ela deixou de usar a traqueostomia."

Na quarta-feira, em uma última troca de mensagens com Nassar, Izabel disse que estava bem e rodeada de muito amor da família. Ele conta que ela falou de Deus e agradeceu por tudo que ele havia feito por ela.

"Algumas de suas últimas palavras dela para mim foram: 'Meu corpo continua doente, mas minha alma está cheia de felicidade'. Eu me sinto em paz com a forma como ela fez a passagem, de forma tão tranquila. Ela sem dúvida é uma paciente que marcou minha carreira e minha vida", diz o médico.

Izabel será enterrada nesta terça-feira (26) no Cemitério São Judas Tadeu, em Tauá. Ela deixa os pais, Edmundo e Maria, os irmãos, os sobrinhos, os médicos e muitos amigos.

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