Cinco milhões de australianos confinados e mais de 12 milhões de casos de coronavírus no mundo

Por Ryan SMITH con Pol COSTA en París y las oficinas de AFP en el mundo
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Sem vacina ou tratamento efetivo disponível, os especialistas consideram necessário o distanciamento social para conter o vírus
Sem vacina ou tratamento efetivo disponível, os especialistas consideram necessário o distanciamento social para conter o vírus

Cinco milhões de australianos retornaram ao confinamento nesta quinta-feira, enquanto a pandemia de coronavírus prossegue em aceleração nos Estados Unidos, com mais de três milhões de casos, e Brasil, com 1,7 milhão de infectados, incluindo o presidente Jair Bolsonaro.

Mais de 12 milhões de pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus no mundo, quase metade delas na América Latina e Estados Unidos, segundo um balanço da AFP.

Os países mais afetados são Estados Unidos, com 3.055.101 contágios e 132.309 mortes, e Brasil, com 1.713.160 casos e 67.964 vítimas fatais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que as "divisões" da comunidade internacional fazem com que o vírus ganhe terreno.

"Não poderemos derrotar a pandemia se estamos divididos", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da organização.

Diante do avanço da pandemia, Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, decidiu impor novamente o confinamento, poucas semanas depois de suspender as restrições.

"A ideia de não poder ver as pessoas que você ama e com as quais está preocupado é realmente angustiante", disse, entre lágrimas, Monica Marshall, moradora de Melbourne que viu sua mãe de 91 anos passar a morar recentemente em um casa de repouso.

Sem vacina ou tratamento efetivo disponível, os especialistas consideram necessário o distanciamento social para conter o vírus, mas a medidada provoca em várias partes do mundo, por falta de informação e por seus custos econômicos.

Em Melbourne, os compradores esvaziaram as prateleiras dos supermercados e a principal rede do país voltou a impor restrições para a venda de alguns produtos.

Na Europa, onde muitos países conseguiram controlar os focos de epidemia, a França afirmou que permanece em alerta por um possível novo surto.

O novo primeiro-ministro do país, Jean Castex, prometeu, no entanto, que o país não voltará a impor um confinamento tão severo como o anterior. "Aprendemos que as consequências econômicas e humanas de uma quarentena total são desastrosas", declarou.

- "Precisamos chorar juntos" -

O presidente brasileiro tuitou na quarta-feira que "com a graça de Deus viverei ainda por muito tempo", depois defender mais uma vez o uso da polêmica hidroxicloroquina para tratar a doença.

No Brasil, a COVID-19 coloca os indígenas da Amazônia diante da encruzilhada de permanecer na aldeia, com poucos recursos médicos, ou ir para a cidade, arriscando-se ao contágio e ao desarraigamento cultural.

"Eu quero levar o corpo do meu filho de volta pra minha aldeia (...), Precisamos chorar juntos", disse Lucita Sanoma à AFP através de um intérprete.

Seu bebê de dois meses faleceu e foi enterrado com suspeita de coronavírus em Boa Vista, a mais de 300 km de seu lar, sem que ela estivesse ciente, contrariando sua cultura yanomami, que crema seus mortos.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta os especialistas do próprio governo e critica o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças por recomendar uma reabertura das escolas que o chefe de Estado considera muito restritiva.

Autoridades locais se esforçam para conter a propagação do vírus, que soma milhares de casos a cada dia.

Muitas cidades e estados americanos foram obrigados a recuar nas medidas de reabertura.

- Caos em Belgrado -

Belgrado, capital da Sérvia, viveu uma segunda noite de distúrbios pelos confrontos entre policiais e manifestantes.

Os manifestantes estão indignados com a forma como o governo combate a pandemia de coronavírus.

Nuvens de gás lacrimogêneo e fumaça encheram o centro de Belgrado em meio a cenas caóticas que lembraram a violência da noite anterior, quando a polícia dispersou milhares de pessoas que saíram para protestar contra o retorno do confinamento no fim de semana devido ao aumento de novos casos da COVID-19.

Embora o presidente Aleksandar Vucic tenha afirmado que é provável que o toque de recolher do fim de semana seja suspenso, milhares de pessoas se reuniram em frente ao Parlamento novamente para protestar.

A indignação está concentrada no presidente, a quem os críticos acusam de ter favorecido uma segunda onda da epidemia ao suspender muito rápido o confinamento para realizar as eleições de 21 de junho.

"O governo apenas procura proteger seus próprios interesses, as pessoas são danos colaterais", disse Jelina Jankovic, 53 anos, no meio do protesto.

burs-qan/axn/pc/zm/fp