Cinco momentos-chave de Biden relativos ao Afeganistão

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O presidente dos EUA, Joe Biden, pressionou sem sucesso pelo fim da guerra do Afeganistão enquanto era o vice-presidente de Barack Obama (AFP/Brendan Smialowski)
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Desde a definição da data para a retirada final do Afeganistão em um ambiente de relativo consenso, até a descida ao inferno com uma saída muito criticada, Joe Biden tem se mostrado inflexível quanto ao fim da guerra mais longa dos Estados Unidos.

Seguem alguns dos momentos-chave no período anterior à partida, na terça-feira (31), horário de Cabul, das últimas tropas americanas quase 20 anos após a invasão.

- A decisão de se retirar -

Biden chegou à Casa Branca com uma decisão urgente a ser tomada sobre o Afeganistão: ele honraria um acordo de fevereiro de 2020 com os talibãs alcançado por seu antecessor Donald Trump para retirar as tropas dos EUA até maio de 2021?

O presidente democrata, que como vice-presidente de Barack Obama havia pressionado sem sucesso para acabar com a guerra, confirmou sua decisão em abril: sim.

Biden disse que retiraria todas as tropas antes de 11 de setembro, vigésimo aniversário dos ataques da rede islâmica Al Qaeda que desencadearam a invasão dos Estados Unidos.

A decisão refletiu um crescente consenso bipartidário, embora alguns republicanos o acusassem de entregar uma vitória simbólica com a data, o que levou Biden a adiantá-la para 31 de agosto.

O acordo alcançado em 2020 em Doha vinculou a retirada dos EUA ao fato de que os talibãs não estavam fornecendo refúgio para extremistas internacionais como a Al Qaeda, e estabeleceu as primeiras negociações entre os insurgentes e o governo de Cabul.

Biden, em discurso em 14 de abril, deixou claro que o recuo ocorreria independentemente das condições locais.

- O colapso do governo afegão -

A partida oficial dos últimos 2.500 soldados americanos e 7.000 da Otan começou em 1º de maio. Enquanto isso, o Talibã lançou uma ofensiva nacional que se baseou mais em persuadir a redenção dos soldados do que em ataques.

Em 15 de agosto, dois dias depois que o Pentágono disse que a queda de Cabul não era iminente, os talibãs entraram na capital e o presidente Ashraf Ghani fugiu para o exterior.

"Demos a eles todas as oportunidades para determinar seu próprio futuro. O que não podíamos dar a eles era a vontade de lutar por esse futuro", afirmou Biden após a queda de Cabul.

O presidente democrata, pego de surpresa na casa de campo de Camp David, admitiu não ter "previsto" a velocidade do colapso de um exército afegão formado, equipado e financiado por Washington.

No entanto, abundavam os relatórios de inteligência que alertavam sobre a fragilidade e a corrupção das forças governamentais.

- Salve-se quem puder -

A saída do Afeganistão de estrangeiros e afegãos "em risco" foi então organizada em meio a um salve-se quem puder generalizado.

Todo o poder e logística do exército americano foram mobilizados em uma enorme operação de evacuação por via aérea, na qual Biden enviou cerca de 6.000 soldados para o aeroporto de Cabul.

Assim, desde 14 de agosto, mais de 123.000 civis, incluindo 6.000 cidadãos americanos, foram transportados para fora do país em aviões dos Estados Unidos e seus aliados.

Apenas os EUA poderiam implementar uma missão dessa magnitude e complexidade, disse o secretário de Estado americano, Antony Blinken.

Mas os detratores de Biden, cada vez mais numerosos nessa questão, mesmo entre os aliados ocidentais, acreditam que as retiradas deveriam ter sido realizadas, ou pelo menos preparadas, muito antes.

- O atentado -

Essas condições caóticas expuseram os soldados americanos a um contexto de segurança que já estava fora de seu controle.

O alerta de Biden sobre a "crescente" ameaça de ataque do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) no aeroporto de Cabul não foi suficiente para evitar o pior: em 26 de agosto, um atentado suicida matou 13 militares americanos e dezenas de afegãos, as maiores vítimas fatais nessa guerra.

A oposição republicana acusou o presidente dos Estados Unidos de ter as "mãos manchadas de sangue".

Biden mais uma vez defendeu a retirada. Ele insistiu que nunca cumpririam as condições para a partida e afirmou que o acordo obtido por seu antecessor amarrou suas mãos: se os soldados americanos tivessem ficado, os talibãs teriam os atacado.

Mas o político veterano, conhecido por sua empatia, lutou para encontrar as palavras certas.

E alguns familiares dos fuzileiros navais mortos em Cabul lamentaram, no The Washington Post, um encontro não muito caloroso com Biden: um disse que o presidente havia falado mais do que tudo sobre seu falecido filho Beau, que serviu no Iraque e morreu de câncer, enquanto outro mencionou comentários "superficiais".

- Uma retirada final anunciada por um general -

Biden, cuja popularidade despencou nas pesquisas, tem tido dificuldades para se comunicar durante esta crise.

Em cada discurso ou declaração, o comandante-chefe de 78 anos aparentemente se protege por trás das recomendações de seu Estado-Maior.

Uma imagem sintetiza esta situação: como em todos os anúncios sensíveis das últimas duas semanas, foi um militar, o general Kenneth McKenzie, quem confirmou na segunda-feira a saída do último soldado americano e o fim de 20 anos de guerra.

Só 24 horas mais tarde o 46º presidente dos Estados Unidos seria ouvido.

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