Cinco mulheres morrem em queda de projétil em casa de festas no Iêmen

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Veículos arruinados perto de um sala de festas onde um projétil explodiu em Hodeida, no Iêmen, em 2 de janeiro de 2021

Cinco mulheres morreram, e várias crianças ficaram feridas, na explosão de um projétil em uma casa de festas durante um casamento em Hodeida, uma cidade no sudoeste do Iêmen.

Essa última tragédia aconteceu dias depois de um ataque espetacular contra o novo governo, em Áden.

De acordo com fontes do governo e testemunhas, o artefato caiu na noite de sexta-feira sobre um salão de festas perto do aeroporto de Hodeida, uma área localizada na linha de frente entre as forças pró-governo e os rebeldes huthi. Este grupo controla esta importante cidade portuária no Mar Vermelho.

A explosão, que deixou cinco mulheres mortas e sete feridos, incluindo crianças, foi descrita como um "crime atroz cometido pelos huthis contra civis" pelo general Sadek Duid, representante do governo na Comissão Mista patrocinada pela ONU para se manter uma trégua em Hodeida.

O "governador" de Hodeida, designado pelos huthis, de Hodeida, Mohamed Ayash, atribuiu o ataque a forças pró-governo.

"As forças de agressão cometem crimes e não hesitam em culpar os outros", disse ele ao canal de televisão rebelde Al-Massirah.

Os huthis pediram, por sua vez, uma investigação internacional sobre a explosão, de acordo com sua agência de notícias.

Deflagrado em 2014 por uma ofensiva dos huthis, que assumiram o controle de grandes extensões do território, principalmente no norte, incluindo a capital Sanaa, o conflito no Iêmen já deixou milhares de mortos, de acordo com ONGs internacionais.

Os rebeldes resistem desde março de 2015 à intervenção militar de uma coalizão liderada pela vizinha Arábia Saudita, a qual apoia o governo iemenita do presidente Abd Rabbo Mansour Hadi, reconhecido pela comunidade internacional.

Os huthis contam, por sua vez, com o apoio do grande rival regional de Riade, o Irã.

Em 13 de junho de 2018, forças pró-governo, apoiadas pela coalizão, lançaram uma ofensiva para retomar Hodeida. Seis meses depois, em 13 de dezembro, a ONU anunciou acordos para silenciar temporariamente as armas, especialmente em Hodeida, após conversas entre iemenitas na Suécia. O sucesso dessa trégua tem sido relativo.

Na última quarta-feira, um ataque espetacular teve como alvo o aeroporto de Áden, capital provisória do governo, no momento de chegada dos novos ministros. Pelo menos 26 pessoas morreram, mas nenhum ministro foi atingido. O governo culpou os huthis.

Depois desta ofensiva, a nova administração, resultado de uma distribuição de poder entre as diferentes facções hostis aos huthis, prometeu "estabilizar" o país e decidiu retomar os voos no aeroporto a partir de domingo (3).

Antes disso, em 4 de dezembro passado, pelo menos oito pessoas morreram no bombardeio de um complexo industrial de Hodeida. E, no final de novembro, cinco crianças e três mulheres morreram em um bombardeio de bairros residenciais, atribuído aos huthis.

Também no final de novembro, os acampamentos militares huthis em Hodeida foram alvo de ataques aéreos da coalizão, em represália por um bombardeio sobre um sítio petroleiro saudita, atribuído a insurgentes iemenitas.

Este conflito que se arrasta mergulhou o Iêmen, um país muito pobre da Península Arábica, na pior crise humanitária do mundo segundo a ONU. São dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e uma população à beira da fome.

Todos os esforços da ONU para encontrar uma solução política para o conflito fracassaram até agora.

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